Todo o lirismo do canto
Mezzo soprano vai apresentar recital “La Bella Voce”, nesta quarta-feira (17), no 39º FIML
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Mezzo soprano vai apresentar recital “La Bella Voce”, nesta quarta-feira (17), no 39º FIML
Marian Trigueiros - Grupo Folha 
“O brasileiro é o povo mais musical que existe. Todo brasileiro é sinônimo de ritmo e melodia”, afirma a Edineia Oliveira, mezzo soprano que vai estrelar o recital “La Bella Voce”, nesta quarta-feira (17), às 18h30, no Teatro Crystal, como parte da programação do 39º FIML (Festival Internacional de Música de Londrina). Além da apresentação, a mineira, que atualmente mora na Alemanha, está na cidade ministrando dois cursos no festival: Prática de Ópera e Técnica Vocal Lírica. São cursos voltados a quem já canta, mas, também, para quem não tem experiência.
À primeira vista, pode soar estranho, já que trata-se de universo bem distante da realidade de maior parte da sociedade do país, sobretudo pelo alto nível técnico que este canto exige. “É importante dizer que o canto é um ato expiratório. Qualquer pessoa pode ter acesso a isso. Pelo canto lírico, conseguimos descobrir traumas e alcançar essas curas emocionais”, diz ela, que estudou canto na UNESP (Universidade Estadual de São Paulo) e teve seus estudos iniciais com os professores Neyde Thomas, Carmo Barbosa e Fernando Carvalhaes. Nos Estados Unidos aprimorou-se com Katherine Green.
Sob esta ótica, ela defende que o canto lírico deva ser desmistificado e trazido de volta à população, já que nasceu dos poemas cantados dos trovadores na Idade Média. “O canto lírico nasceu do povo é para o povo. É direito da pessoa ter acesso a uma poesia ritmada e à literatura refinada. Porém, ao usar a voz como instrumento, ganha-se recursos através de muita disciplina com os estudos e saúde, pois o próprio corpo é caixa de amplificação”, conta, acrescentando que as técnicas podem ser usadas para outros tipos de canto, pois ampliam a extensão vocal, projeção e capacidade respiratória.

Já a vazão artística promovida pelas óperas, que tem como base o canto lírico acompanhado de instrumentos de orquestra, também precisam ser apresentadas com mais frequência ao público brasileiro. “É um tipo de teatro que tem uma história, um enredo. Para nós brasileiros, seria uma novela cantada. A ópera tem relação direta com o canto popular, ainda que possua técnica apurada.” de acordo com ela, apreciar esse tipo de música, portanto, está muito mais ligada a uma cultura musical do país que, propriamente, um gosto musical. “Em países como a Alemanha, a música e o instrumento é inserido na educação desde a infância.”
RECITAL
No recital, Oliveira vai apresentar obras como “Ciranda e Cirandinha - Nesta Rua tem um bosque”, de Heitor Villa Lobos, “Dengues da Mulata desinteressada”, de Marlos Nobre, “Preludio de Carmen”, de Georges Bizet, “Voi lo Sapete, o mamma”: Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni, acompanhada da pianista Sin Ae Lee, da Coreia do Sul, mas mora no Brasil desde os 18 anos e, etualmente, integrante de The Heritage Duo Emsemble e Metassory Quarteto. A apresentação terá, também, a participação da mezzo soprano londrinense Gisela Strass que reside na Alemanha, onde estudou por dois anos na Opernakademie Schloss Henfenfeld.
SERVIÇO:
La Bella Voce – 39º FIML
Quando: Quarta-feira (17), às 18h30
Onde: Teatro Crystal (rua Quintino Bocaiúva, 15)
Quanto: R$20,00 e R$10,00 (meia entrada)*
*A venda dos ingressos está disponível no site do FIML (www.fml.com.br), no Portal Sympla ou, ainda, diretamente na Loja Ciranda - rua Pref. Hugo Cabral, 656. No dia do espetáculo, se sobrarem, serão vendidos na bilheteria do teatro


