Curitiba - Elza Soares não gosta de contar a sua idade. Sobre o tempo de carreira é categórica: ''estou sempre começando''. Mas quando o assunto é música, Elza solta a rouca voz e arrisca a receita do sucesso do seu mais recente trabalho:''é um disco atrevido'', define. ''Do cóccix até o pescoço'' se tornou imprescindível na prateleira de quem aprecia a boa música. O repertório do CD pode ser conferido no show que Elza faz hoje à noite em Curitiba, em única apresentação no Calamengau (Sociedade Vasco da Gama).
O disco tem produção do compositor José Miguel Wisnik e faz um passeio pelo que há de mais moderno na música brasileira. Além de canções inéditas, com arranjos para lá de ''atrevidos'', o disco traz músicas de Luiz Melodia, Marcelo Yuka e Chico Buarque. Lançado pelo até então desconhecido selo Mangaia, o disco acompanha um encarte com fotografias da cantora e pode ser encontrado em bancas de jornais.
Para gravar o CD, Elza não chegou a procurar as grandes gravadoras, justamente porque queria a liberdade para fazer o que fez. ''A liberdade eu tive, agora estou esperando a rentabilidade do disco'', brinca. Em turnê nacional e internacional para divulgação do novo trabalho, Elza já passou pela França, Argentina e por várias cidades brasileiras e está mais que satisfeita com a aceitação do trabalho.
A cantora conta que queria fazer um disco com uma linguagem popular. ''Para isso a ajuda do Wisnik foi fundamental. Ele é um intelectual, mas não é hermético. O resultado foi um disco que atinge a todos'', define Elza. Enquanto se dedica à divulgação do novo disco, a cantora já pensa no próximo. O disco que vai preceder ''Do cóccix até o pescoço'' deve reunir composições dela, mas a cantora prefere não adiantar informações. ''Só digo que vai ser ainda mais atrevido.''
E não é de hoje que Elza segue essa premissa. A cantora nasceu no Rio de Janeiro, em 1937. Filha de uma lavadeira e de um operário, cresceu no subúrbio, recebendo a inevitável influência dos sambistas de morro. Aos 12 anos já era mãe e aos 18, ficou viúva. Na década de 60, quando já tinha gravado dois LPs, conheceu o jogador Garrincha (1933-1983), com quem casaria mais tarde e teria um filho, morto precocemente em 1986. Com a morte do filho. Elza partiu para Europa, onde ficou por nove anos.
A cantora voltou ao Brasil em 1997, quando gravou o CD ''Trajetória'', reunindo sambas de Zeca Pagodinho, Guinga e Aldir Blanc, para citar alguns. Nesse mesmo ano, lançou o livro ''Cantando para não enlouquecer'', biografia escrita pelo jornalista José Louzeiro.
No show que faz hoje, em Curitiba, Elza traz os músicos José Paulo Becker (violão), Chiquinho Chagas (teclados), Edson Meneses (baixo) e Carlos Cesar (bateria). A direção do espetáculo é de Gringo Cardia, com a colaboração de Rita Lee. No repertório, além das músicas que integram o novo disco, antigos sucessos da carreira da cantora, como ''Beija-me'' (Roberto Martins e Mário Rossi) e ''Devagar com a louça'' (Haroldo Barboda e Luiz Reis).
Serviço: Show ''Do cóccix até o pescoço'', com Elza Soares. Hoje às 23 horas no Espaço Cultural Calamengau (Rua Roberto Barrozo, 1190). Ingressos a R$ 20,00. Informações pelo telefone (41) 338 7766.

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