Os programas de namoro de tevê são um clichê que nunca sai de moda. Desde os extintos "Namoro na TV", "Beija Sapo", "Em Nome do Amor" e "Fica Comigo", esse tipo de produção tem um público cativo. Seja pelo interesse na vida do outro, pelo prazer do constrangimento de ver a carência alheia ou só para assistir a uma produção que não exija que o telespectador, de fato, preste atenção. Apostando nesse nicho, Rafael Cortez foi designado para apresentar o "Me Leva Contigo", formato trazido da Holanda pela Record. Sem emplacar um sucesso desde que deixou o "CQC", na Band, para mudar de emissora, Cortez procura se sair melhor do que nas frustradas tentativas do "Got Talent Brasil" e "Nova Família Trapo".
Mais confortável do que nas produções anteriores, o apresentador ainda não perdeu o estilo "engraçadinho". Faz piadas e trocadilhos a todo momento. Mas sua postura não compromete o andamento do programa. Até porque Cortez precisa deixar o egocentrismo – comum dos apresentadores – de lado para permitir que as participantes e candidatas a um novo amor se destaquem para seus pretendentes e também para os espectadores. Muito à vontade, ele parece ter encontrado uma produção que o instiga, de alguma forma.
Comparando o "Me Leva Contigo" aos quadros ainda existentes, como em "Eliana" e "Hora do Faro", o programa de Cortez leva certa vantagem. O cenário é bem produzido e o esquema de luzes quentes lembra o clima de uma boate. Apesar disso, não foge do usual. Trinta solteiras avaliam um candidato a namorado e podem apertar um botão para conversar mais intimamente com ele. No caso em que duas ou mais participantes mostram interesse, é o rapaz quem deve escolher com quem prefere conversar. O maior pecado do programa é não dinamizar o processo de apresentação do candidato. Um vídeo é exibido para cada homem que procura uma namorada. O processo é entediante.
Por mais batido que "Me Leva Contigo" seja, Rafael Cortez se sai bem. Com um dia e horário complicado – as noites de sexta são difíceis de emplacar um sucesso –, o programa tem garantido a vice-liderança, com média de sete pontos no Ibope. A direção da emissora parece estar feliz com o casamento entre o apresentador e o formato.

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