Todas as caras de Caio Blat no cinema
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quarta-feira, 25 de abril de 2007
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
São Paulo - Aos 26 anos, Caio Blat tem um currículo apreciável que inclui numerosas peças como ator e até diretor, cinco filmes já estreados e quase uma dezena de novelas e especiais de TV (sete na Globo, dois no SBT e um na Cultura). Não são muitos atores jovens, talvez nenhum outro, que possuem números como esses para exibir. Mesmo assim, 2007 está prometendo ser o ano de Caio Blat no cinema brasileiro. Já houve a grande interpretação de Selton Mello em ''O Cheiro do Ralo'', vem aí a de Rodrigo Santoro em ''Não por Acaso'', mas prepare-se para ver muito Caio Blat nas telas nos próximos dias.
Caio Blat atua em ''Cama de Gato'', ''Carandiru'', ''Lavoura Arcaica'' e ''O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias''. E ele está em três novos filmes, que vão estrear sucessivamente. O primeiro foi ''Batismo de Sangue'', de Helvécio Ratton; o próximo, ''É Proibido Proibir'', de Jorge Durán, que estréia amanhã em São Paulo; e, um pouco mais adiante, ''Baixio das Bestas'', de Cláudio Assis, dia 11 de maio.
E tem também o teatro. ''Mordendo os Lábios'', espetáculo de Hamilton Vaz Pereira, estará em cartaz no Sesc Santo André de 3 a 5 de maio. A peça estreou em abril de 2005 no Rio e já fez algumas apresentações em Fortaleza e Campinas.
São todas as caras de Caio Blat. Nos três filmes, por exemplo, ele interpreta jovens, claro, mas não apenas os perfis dos personagens são diversos como os próprios diretores oferecem um interessante painel da diversidade do cinema brasileiro atual. É do que Caio gosta. ''Andei dirigindo algumas peças, mas quando me caiu a ficha do cinema resolvi ficar neste estado de disponibilidade total. É muito louco se colocar a serviço de autores tão diversos, às vezes até conflitantes. Gosto dessa coisa'', diz.
Segundo ele, nenhum papel se assemelha ao outro e nenhum diretor se assemelha ao outro. ''Cada filme, cada personagem traz desafios diferenciados.'' Já havia sido assim na Globo. Em geral, os atores se encaixam em núcleos dentro da emissora. Caio fez sete novelas, e foram todas com diretores diversos.
De cara, ele provocou frisson na minissérie sobre Chiquinha Gonzaga, interpretando o amante (de 16 anos) da compositora que já tinha ultrapassado os 50. Ó abre alas para Caio Blat. ''Aparecia nos dois últimos capítulos, mas foi uma sensação. De repente, todo mundo me conhecia em função da Globo.'' Justamente a Globo. Desde que deixou São Paulo - onde nasceu, no Ipiranga, numa família de classe média (''baixa'', ele acrescenta) -, Caio foi ser contratado da poderosa, no Rio.
Aos 17 anos, já estava realizando o sonho dourado de milhões de brasileiros. Integrava o elenco global, aparecia na telinha e tinha salário fixo. Um dia, descobriu que a grana depositada em sua conta estava mais polpuda do que a que recebia mensalmente. Ligou para o escritório que o representava e descobriu que havia sido despedido, sumariamente e sem motivo aparente.
Ele seria recontratado seis meses mais tarde, mas o desemprego ajudou a sacudi-lo. Bateu a nóia. E agora?, pensou. Foi se aconselhar com o pai e ouviu dele o que todo pai preocupado com a segurança dos filhos diria: ''Você não acha que é tempo de concluir seu curso de Direito na Maria Antônia?'' A família, que se esforçara para pagar o cursinho que colocara o filho na universidade, nunca deglutira muito bem o fato de Caio haver abandonado o curso para seguir a carreira de ator.
Mas ele não voltou e, quando encontrou Fauzi Arap, se alguma vez teve dúvida, naquele momento descobriu que havia nascido para a arte da representação. ''Fauzi foi um cara fundamental para mim. Muito bacana mesmo. Eu era todo certinho, todo bonzinho. Parece que vivia com medo. Fauzi me ensinou que ser zen, como eu queria, não era aquilo.''
Seu apartamento na Bela Vista, em São Paulo, é acolhedor, tem um pequeno jardim (localiza-se no térreo). Numa das paredes, encontram-se emolduradas três fotos de Che Guevara, que Caio trouxe de Cuba, quando lá esteve, mostrando ''Cama de Gato'' no Festival de Havana. Depois do festival, o diretor Alexandre Stockler e ele ficaram vagabundeando um mês pela ilha. Foi o fecho de uma experiência que o marcou.
Ele estudou na USP, morou em república de estudantes e nunca entrou nessa de que jovem é alienado. O mundo mudou desde os utópicos anos 60, mas Caio continua sendo a prova de que um segmento, pelo menos, da juventude que continua acreditando no comprometimento político e na humanidade. O personagem mais próximo dele é o de ''É Proibido Proibir'', no filme do chileno-brasileiro Durán, sobre o triângulo amoroso formado por três estudantes do Fundão - Caio, Alexandre Rodrigues e Maria Flor vivem os papéis.


