Toda nudez será castigada?
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sábado, 17 de agosto de 2013
Marcos Roman<br> Reportagem Local 
Fazendo uso da própria nudez e obesidade para debater questões estéticas, sociais e políticas, a artista plástica Fernanda Magalhães já expôs suas obras em diversos continentes. Nesta semana a londrinense comemora uma nova e grande conquista. Ela integra o seleto grupo de 34 artistas nacionais e internacionais convidados para participar da 1ª Bienal Internacional de Fotografia Masp/Pirelli (FotoBienalMasp).
A mostra, aberta na última quarta-feira no Museu de Arte de São Paulo (Masp) - o mais conceituado do país -, conta com imagens da londrinense nua em diversos espaços públicos. As fotografias integram a série "A natureza da vida", produzida como uma forma de protesto e que conta com a adesão de vários fotógrafos convidados por Fernanda para retratar as performances realizadas por ela. A lista inclui Luciano Pascoal, Graziela Diez, Bárbara Bessa, Eliza Prataviera, Camila Fontes e Dmitri Fuganti.
Convidada por Ricardo Resende, atual diretor do Centro Cultural São Paulo e curador da FotoBienalMasp, a artista plástica selecionou sete fotografias para o evento. Nas imagens, Fernanda aparece nua nos escombros do Teatro Ouro Verde (em março de 2013, um ano após o incêndio), contra a destruição do Bosque (11/2011) e nos entulhos que restaram da demolição dos barracões de madeira que por décadas abrigaram o departamento de artes da Universidade Estadual de Londrina (02/2012), entre outros espaços retratados.
"Esse trabalho começou a ser produzido no ano 2000, quando estive em Nova York e fiquei nua no Central Park para protestar contra o consumismo local. Depois disso fiz fotos nuas na França e na Rússia como forma de repúdio à ditadura da beleza que impõe um padrão de magreza absurdo às mulheres de lá", explica Fernanda.
Após enfrentar diversos preconceitos, a artista plástica londrinense comemora o reconhecimento que seu trabalho tem conquistado. "Já fui convidada para expor em muitos países como Estados Unidos, França, Rússia, Finlândia. Mas desde que comecei a trabalhar com o nu, há 20 anos, era convidada apenas para mostras paralelas. Não fazia parte do mainstream e nunca imaginei que um dia estaria expondo no Masp, que tem como tradição trabalhar apenas com obras clássicas. Olhando por esse ponto vista e por tudo o que o Masp representa, essa exposição no coração de São Paulo pode, sim, ser considerada uma grande vitória", destaca Fernanda.


