Toda beleza da dança gaúcha
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Se você pensa que nascer no Rio Grande do Sul é o requisito básico para ser um autêntico gaúcho, está enganado. Muito além de uma questão geográfica, o verdadeiro gaúcho é aquele que admira e segue o tradicionalismo gaúcho. É quase uma filosofia de vida, e que o digam os frequentadores dos centros de tradição gaúcha espalhados pelo Brasil e no exterior.
Em Londrina, o CTG Rincão Sulino há 15 anos vem mantendo essa cultura. E mesmo com a modernidade, o tradicionalismo desse universo cheio de prendas e peões vem atraindo a admiração de muitos jovens. Com ensaios semanais que vão madrugada afora, um grupo de 25 jovens - de 13 a 27 anos - vem se preparando para representar Londrina no 19º Festival Paranaense de Arte e Tradição (Fepart). O evento acontece neste final de semana em Ponta Grossa e reúne vários grupos artísticos de CTGs da região.
E dessa vez o desafio é ainda maior. Concorrendo pela primeira vez no grupo A, eles têm que saber 15 danças tradicionais, sendo que três delas são sorteadas para serem apresentadas em cada dia de competição. No ano passado, ainda concorrendo no grupo B, eles conquistaram o quinto lugar, entre 20 grupos participantes.
Para aprimorar o trabalho do grupo, o instrutor de coreografia Jonathan Espíndola, 21 anos, foi diretamente importado do Rio Grande do Sul para fazer um trabalho intensivo com os dançarinos da Invernada Artística. Desde os 7 anos participando de danças tradicionais gaúchas, ele tem na bagagem uma experiência que totaliza 14 anos dedicados à essa modalidade de dança. ''Eles têm melhorado muito e é admirável ver o quanto se dedicam. Não ganham nada por isso. É tudo por amor à tradição'', comentou.
Espíndola explica que em uma das danças ''230 possíveis erros'' podem acontecer e todo cuidado é pouco na hora de mudar um passo. Entre as modalidades que serão apresentadas, estão as danças anu, balaio, cana verde, rilo, chimarrita, pezinho, xote das sete voltas, xote inglês e rancheira de carreirinha. Uma das de execução mais complicadas é a dança pau de fita. ''Essa modalidade nunca foi dançada no Paraná'', acrescentou.
Também merece atenção o novo figurino do grupo. Inspirado em figurino utilizado pela corte do século 19, os peões vão utilizar a braga - traje de época mais pomposo que a tradicional bombacha - e as prendas irão usar a peneta, um pequeno arranjo com véu no alto da cabeça. Com vestidos vermelhos com bordados em pérola, a elegância marcou a apresentação prévia que o grupo fez no último domingo.
Segundo a diretora artística Inez Domingos Stadler, o grupo está se esmerando nos ensaios. ''Eles ficam em média até as 3 da madrugada e é interessante observarmos que num tempo em que a maioria dos jovens só quer namorar e ficar no shopping ainda há aqueles que se dedicam à essa manifestação artística'', destacou.
Integrante há um ano da Invernada Artística, Jussara Fernandes, 20 anos, que também é estudante do terceiro ano de Direito, contou que o fato de ser apaixonada por dança a incentivou a frequentar o grupo do CTG. ''Outra coisa que gosto muito é o respeito à figura da mulher que encontramos aqui. É bem interessante'', afirmou.
Já Antonio Augusto Lazarini Barboza, 27 anos, doutorando em Agronomia, desde os 14 anos pratica a dança tradicional gaúcha. ''O ambiente aqui é muito saudável e criamos vínculos fortes de amizade. É difícil manter essa tradição no Norte do Paraná, ainda há preconceito, mas gosto muito do que eu faço.''
Mais informações sobre o grupo e o funcionamento do CTG Rincão Sulino pelo telefone (43) 3325-4483.


