Londrina

Paulo Wolfgang




Mais de 30 bailarinas sobem ao palco, para apresentar 17 coreografias. Na foto inferior, a professora Rhamza Alli e o percussionista Ronan Alli



Quem nunca assistiu a um filme com odaliscas durante a Dança dos Sete Véus, mostrando toda a magia das mil e uma noites? Agora, este espetáculo pode ser apreciado ao vivo em Londrina. Hoje, acontece a 1ª Mostra Londrinense de Dança do Ventre, promovida pela escola da bailarina Rhamza Alli. O evento começa às 20 horas, no Empório Guimarães.
São mais de 30 bailarinas que apresentarão 17 coreografias, com destaque para as mais famosas danças, como a dos Sete Véus e a do Candelabro. Segundo a professora Rhamza Alli, todas as danças são carregadas de significado místico e cultural, que traduzem bem os costumes orientais, principalmente da cultura árabe.
Na Dança dos Sete Véus, Rhamza Alli vai desvendar um pouco da sabedoria desta coreografia, que simboliza a liberação de cada chakra (centro energético) do ser humano, representado por véus. A bailarina conta que a dança é baseada na lenda da deusa da mitologia egípcia Ishtar. Conta a lenda que o marido de Ishtar foi levado para o inferno e então ela resolveu buscá-lo. Para isso, tinha que atravessar sete portais e, em cada um deles, tirar um peça de roupa: o que significava a resolução dos problemas de sua vida, pouco a pouco, até atingir a plenitude. Os véus simbolizam o corpo (cores quentes) e o espírito (cores frias).
Já na Dança do Candelabro, a bailarina Nuriah, que vem de São Paulo especialmente para a Mostra, faz sua performance com o candelabro na cabeça (hoje já não é necessário o equilíbrio, pois existe um suporte para encaixe). A Dança da Espada é um misto de masculinidade e feminilidade. O simbolismo é mostrar a agressividade e a masculinidade do homem através da mulher.
A Mostra também terá apresentações de algumas danças folclóricas, como a Dança do Jarro (bailarinas dançam em fila indiana, como se estivessem indo buscar água), a Dança da Bengala ou Bastão (uma brincadeira das odaliscas com o objeto) e a Dança do Pandeiro (uma dança alegre e que integra as pessoas). A Dança do Punhal é uma encenação que mistura danças ciganas.
Rhamza Alli também vai dançar a tradicional El Tabla, que tem o ritmo marcado pelo Derbak, principal instrumento árabe de percussão. O percussionista Ronan Alli e a bailarina Nuriah vão tocá-lo durante a dança. Além deste, o Snuges é outro instrumento utilizado nas coreografias. ‘‘O Snuges é um precursor da castanhola; a diferença é que tem o som agudo do metal’’, explica.
Cuidados Para praticar a dança do ventre, não há limite de idade e geralmente varia de 14 a 50 anos. Rhamza Alli conta que já teve alunas de até 70 anos. ‘‘Deve-se, no entanto, respeitar os limites do corpo e separar por aulas as alunas de idades muito diferentes’’.
A aula de dança do ventre é considerada uma prática séria e que requer anos de experiência. Rhamza alerta que trata-se de um exercício espetacular, mas que pode causar danos irreversíveis se mal aplicado, já que mexe principalmente com a coluna vertebral. ‘‘São exercícios leves, mas poderosos’’, adverte.
Os benefícios que a dança traz são muitos. ‘‘Fora o lado artístico, a dança do ventre é um exercício que tonifica o corpo, previne e combate a flacidez, não agride e vai modelando o corpo gradativamente. Principalmente com mulheres, porque mexe com os órgãos internos do abdômen’’.
Rhamza Alli é formada em balé clássico pelo Balett Stagium, de São Paulo. Há 13 anos começou a estudar dança do ventre e há três dedica seu tempo a ensiná-la. Há dois anos está em Londrina dando aulas na sua academia, na Universidade Estadual de Londrina e em Maringá.
• 1ª Mostra Londrinense de Dança do Ventre - hoje, às 20 horas, no Empório Guimarães, em Londrina. Ingressos a R$ 15,00 (incluindo R$ 10,00 de consumação).

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