Toda a alegria do frio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de março de 1998
Marie-Dominique Follain France Presse 
France Presse
As modelos de John Galliano, de cabelos extravagantes, multicoloridos, surgiam diante de um céu estrelado com arranha-céus nova-iorquinos, em meio a antenas de TV, latas de lixo e cadilacs
O estilista britânico John Galliano, da casa Dior, causou surpresa ao apresentar uma coleção de inverno com muita cor, inspirada na roupa de rua, mas certamente muito luxuosa, com botões que são verdadeiras jóias e belas sandálias com calcanhares forrados em cetim.
Como de hábito, Galliano cuidou muito da decoração de seu desfile: suas modelos, de cabelos multicoloridos, surgiam diante de um pano de fundo que mostrava um céu estrelado com arranha-céus nova-iorquinos, em meio a antenas de TV, latas de lixo e deslumbrantes cadilacs.
As cores foram as primeiras a chamarem a atenção. Jaquetas ajustadas na cintura nas cores laranjada, rosa e amarela sobre saias curtas com fendas, mantôs com cintos de couro nos quadris, saia escocesa sobre um corpete de tule bordado de flores para salvar o pudor.
A streetwear de Dior é, logicamente, luxuosa, mas os finos e longos trajes noturnos, as saias rabo-de-sereia sob capas acolchoadas e os chapéus capelina com véus evocavam as sobreviventes do Titanic.
O belga Driez van Noten mostrou um desfile diferente, apresentando suas modelos caminhando em uma lenta procissão, com penteados embaraçados e os rostos pintados como se tivessem pequenas incisões na pele.
As cores predominantes foram o preto, o cáqui, o cinza e o vinho. Os estampados pareciam antigos em roupas sobrepostas: duplas combinações de musseline sob uma farda militar, saias duplas sob um pequeno corpete de couro, acompanhados de botas de montaria.
Para proteger do frio suas modelos de aspecto selvagem, o estilista desenhou grandes casacos em patchwork, parecidos aos que os homens das cavernas confeccionavam.
A feminilidade absoluta foi o tema da jovem estilista australiana Colette Dinningan. Ao ver sua coleção, era quase possível esquecer que se tratavam de roupas para o frio. Suas modelos desfilaram roupas confeccionadas com tecidos leves e superpostos na cor rosa-carne, corpetes e calções de cetim, saias no meio da coxa, roupas com charmosos suspensórios no mais puro estilo dos anos 50. Para aquecer, jaquetas e longos casacões de veludo.
Ao lado dos desfiles tradicionais, o designer de óculos Alain Mikli aproveitou a oportunidade para se lançar ao prêt-à-porter com uma idéia inovadora: para viajar com uma bagagem leve, é necessário levar roupa leve.
Para isso, Mikli apresentou todas as suas roupas em materiais nobres, o que possibilita transformar as roupas diurnas em trajes de noite. Assim, uma jaqueta de cachemira se transforma em uma de seda, apenas virando a peça do avesso.


