São Paulo - Os cantores Almir Sater e Renato Teixeira são dois importantes nomes da música caipira brasileira. Amigos há mais de 30 anos, eles lançam agora o CD "AR", o primeiro assinado pelos dois, com dez canções inéditas escritas por eles.
"Há seis anos, tivemos a ideia de fazer esse disco, mas só há um ano e meio - quando chamamos o produtor Eric Silver, também muito nosso amigo - o projeto começou a andar de fato. Antes disso eram mais conversas do que ações concretas", diz Renato Teixeira.
Segundo ele, a amizade com Sater, que começou no início dos anos 1980, lhe deu força para seguir na música. "Nos identificamos rapidamente. Temos as mesmas crenças sobre a música brasileira e, antes de conhecê-lo, sentia-me sozinho no universo caipira."
O cantor diz que, quando morava em Taubaté (SP), durante a juventude, deu-se conta da importância da música caipira. "Percebi que aquele som que eu ouvia nas ruas e na rádio ia desaparecer. E intuí que poderia fazer algo para mudar essa história."
Na hora de compor, Renato afirma que cada um tem função específica. "Eu faço as letras, e o Almir, as melodias, pois ele toca muito melhor do que eu. Trabalhamos na música até o último minuto antes de gravá-la."
Ele revela, ainda, que uma canção pronta e algumas letras ficaram de fora do disco, e não descarta o lançamento de um segundo volume. "A gente faz o trabalho e acha que ele é bom, mas quem vai dar o veredicto é o público. Se der certo e o retorno for positivo, podemos repetir a dose, sim. Trabalhar com o Almir é sempre uma alegria."

GRAVAÇÃO NOS EUA
O disco teve participação decisiva do produtor americano Eric Silver para virar realidade. "Apesar de viver nos Estados Unidos, ele tem bastante conhecimento da música brasileira e sabia o que queríamos", conta Renato Teixeira.
O CD teve uma parte gravada no Brasil, e outra, nos Estados Unidos. "As cordas e a voz fizemos na casa do Almir, onde também foram tiradas as fotos para o disco. E a bateria e o teclado foram gravados nos Estados Unidos", revela Teixeira.
Segundo ele, a internet foi fundamental para que tudo desse certo. "Pudemos acompanhar o processo inteiro, ouvir como estava ficando e conversar com os músicos envolvidos. Estávamos praticamente dentro do estúdio do Eric em Nashville [Tennessee]."
Segundo Teixeira, os dois fizeram questão de participar de todas as etapas. "Queríamos garantir que o CD tivesse uma sonoridade brasileira, um som simples, mas com a nossa identidade." Como é comum no trabalho dos artistas, o disco fala da vida no campo e de fatos do cotidiano. Os dois artistas dividem com o irmão de Sater, Rodrigo Sater, a composição de uma faixa.

TURNÊ
Um encontro entre amigos. É essa a definição dada por Renato Teixeira para a turnê "Tocando em Frente", que reunirá ele, Almir Sater e Sérgio Reis. O show está agendado para 14 de maio, no Espaço das Américas. Os ingressos começam a ser vendidos na próxima quinta, pelo site www.ticket360.com.br, e os preços ainda não foram divulgados.
"O show terá em torno de 30 músicas, ainda estamos fechando o repertório completo. E vamos começar os ensaios no próximo mês. Acho que vai ser um show bom de fazer, pois somos muito amigos", diz Renato Teixeira.
Ele já havia feito um projeto com Reis chamado "Amizade Sincera", que rendeu dois CDs e algumas apresentações. "Desta vez, incluímos o Almir." O objetivo dos cantores é agradar ao público, por isso, cada cantor terá a oportunidade de se apresentar sozinho. "Cada um vai poder cantar suas músicas, mas haverá momentos em que os três estarão juntos no palco, ou mesmo em que faremos duetos", adianta ele.

SERTANEJO ATUAL
O crescimento do mercado sertanejo é, para Renato Teixeira, motivo de comemoração. "Nunca houve uma época tão propícia para o gênero. Vivemos um momento único. É importante que nosso ritmo represente cerca de 80% do mercado nacional de música."
Apesar disso, ele faz ressalvas em relação ao que é cantado. "Na minha opinião, o conteúdo das canções não é condizente com o passado recente de composições que a música brasileira tem e que fizeram muito sucesso."
Segundo o cantor, esse crescimento expressivo do sertanejo universitário faz também com que o público jovem acabe conhecendo mais a carreira de artistas como ele, Almir Sater e Sérgio Reis. "Hoje, com a internet, você consegue buscar informações sobre os artistas de que gosta e tem acesso mais fácil ao trabalho dos músicos. E aí, a forma como cada um vai usufruir da música e se identificar com ela depende da formação cultural, intelectual e do gosto pessoal", declara.

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