Rubens Pileggi Sá
De Londrina
Especial para a Folha2
Magnífico! Perfeito! Genial! Enfim, qual a melhor expressão para definir o encantamento proporcionado por uma obra de arte quando somos tocados em toda a extensão de nossa sensibilidade pela sensação de surpresa, inquietação e satisfação? O que dizer quando somos tomados pelo arrebatamento, tirados de nosso terreno defensivo, paralisados em nossos julgamentos e críticas para seguir o fluxo da existência, avançando os limites do cotidiano, das ideologias e sendo banhado de plenitude? Que comentário fazemos quando todas as fronteiras foram expandidas sejam elas geográficas, ideológicas ou históricas? Nada, não dizemos palavra, só percebemos que nossa consciência de mundo foi ampliada.
É dessa situação que surge o que o Zen Budismo chama de iluminação, o Satori. Um estado onde nada falta, pois junto a nossa falta se complementa. Onde eu e mundo somos apenas uma só coisa. Encontro com o que sempre esteve dentro de nós mesmos e nem sabíamos que sabíamos daquilo.
O artista em sua capacidade de perceber o mundo, parece apenas mostrar ou propor algo óbvio, necessário, claro, mas que até então não percebíamos. Do seu gesto exato, a matéria parece ter sido despertada de um sono profundo, como se viesse à luz para se tornar real, num passe de mágica envolvendo invenção, criatividade, esforço e concentração, como se fosse um acontecimento, uma aparição e não uma construção. Aliás, essa é uma das condições das obras-primas; nada nelas faltam, nada nelas sobram, parecem exatas por quaisquer ângulos ou sentidos que se lhes tomem.
Às vezes, procuramos essa dimensão em lugares onde pensamos ser óbvios, ou que se encontra distante demais e não podemos alcançá-la, mas é possível que mais próximos que imaginemos esteja acontecendo algo genial, melhor, que dentro de nós esteja a obra de que falamos. Aquele que é tocado por essa força jamais poderá ver o mundo como via antes porque seus olhos, seu olhar, não será mais o mesmo. Basta estar atento e disponível para o encontro.