Tizuka Yamazaki tem novos projetos
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quarta-feira, 28 de maio de 1997
Mariane Morisawa Agência Folha 
Arnaldo Alves/Arquivo FolhaTizuka Yamazaki: O filme que a gente fechar primeiro é o que vou fazerA cineasta Tizuka Yamasaki se prepara para rodar dois filmes: o chamado Gaijin 2, sobre os dekasseguis, brasileiros descendentes de japoneses que vão ao Japão para trabalhar, e Santos Dumont, o Brasileiro Voador, sobre o inventor do avião.
Ambas as produções serão filmadas no exterior e contarão com dinheiro arrecadado por meio da Lei do Audiovisual e da Lei Rouanet, além de serem co-produções, respectivamente, com Japão e França. Gaijin 2 está orçado em US$ 8 milhões, e Santos Dumont precisará de US$ 15 milhões. Em ambos, há uma temática comum: imigrantes brasileiros que deram certo.
A senhora está preparando dois projetos, um sobre Santos Dumont e outro que é uma continuação de Gaijin?
Tizuka Yamasaki - Não é uma continuação porque na verdade eu vou falar sobre os brasileiros que foram para o Japão. É a primeira vez que eu ouço que um grupo de brasileiros que está trabalhando fora tem uma imagem de gente trabalhadora e bem-sucedida.
A senhora acha que isso tem a ver com a ascendência japonesa?
Yamasaki - Talvez tenha a ver, sim. Porque, aqui no Brasil, a colônia sempre foi conhecida como honesta, trabalhadora, estudiosa.
Além desse projeto, existe o do Santos Dumont?
Yamasaki - Esse também está taxiando. No Brasil, o Santos Dumont é o inventor, mas é aquele velho com chapéu enterrado na cabeça. Não se valoriza Santos Dumont, a personalidade extremamente interessante. Eu acho que é uma história poética e cheia de aventuras.
Não deixa de ser a história de um imigrante que deu certo.
Yamasaki - É um imigrante que deu certo. Fez uma das invenções mais importantes do século 20, e ele é um cara que conseguiu isso só por acreditar numa idéia.
Gaijin furou a fila?
Yamasaki - Não foi bem assim. O Gaijin veio antes. Mas a Lei do Audiovisual atraiu empresas grandes, que queriam projetos de grande visibilidade. E aí tiramos da gaveta o Santos Dumont, que já tinha roteiro. O que a gente fechar primeiro é o que vou fazer.
A senhora acredita no renascimento do cinema brasileiro?
Yamasaki - Eu não acho que seja renascimento, porque conheço gente que manteve a produção. Acho que hoje você tem mais condições de produzir. O problema é a distribuição. Eu acho que, enquanto não abaixar o preço do ingresso, a gente não vai ter público.
Isso atinge não só os filmes brasileiros.
Yamasaki - Atinge todos.
Então a senhora não acha que é um problema dos filmes brasileiros, que se afastaram do público.
Yamasaki - Ao contrário, eu acho que essa parada fez com que o cinema brasileiro chegasse mais perto do público. Há muitos estreantes, a variedade de temáticas e estilos é enorme.
A senhora gosta dos novos?
Yamasaki - São ótimos, bem-feitos e encantam o público. Tem que ter variedade. Todo filme tem seu público.


