A diretora Tizuka Yamasaki esteve recentemente em Curitiba buscando mais apoio para a realização do seu filme ‘‘Gaijin II’’ que deverá começar a ser rodado em julho. Mesmo depois de dizer que o Governo do Paraná vai dar todo o apoio necessário e insistir que pretende rodar o filme em Curitiba, Londrina, Assaí, Maringá e Foz do Iguaçu, Tizuka cobrou respostas concretas de algumas prefeituras de cidades onde o filme poderá ser rodado.
Segundo o produtor executivo do filme, Flávio Chaves, foram enviadas propostas para todas as cidades que aceitaram entrar no projeto mas muitas ainda não responderam. É o caso de Londrina. Chaves disse ainda por outro lado que Foz do Iguaçu, a última cidade a entrar no projeto, já se mobilizou ‘‘estruturando uma proposta bastante vantajosa’’ para ambas as partes.
‘‘Como não podemos fazer um filme só baseado em promessas precisamos de uma resposta mais concreta. Foz está se envolvendo bastante e apresentando uma proposta que poderá envolver um grande contingente de pessoas. Ainda não posso anunciar o que é, mas isto está sendo analisado em Brasília junto ao Ministério da Cultura’’, informou o produtor executivo. Chaves diz que a participação de Foz do Iguaçu pode inclusive alterar parte do roteiro do filme. Ele fez questão de frisar que esta declaração ‘‘não é para começar uma guerra e nem para medir forças entre os municípios. Queremos mesmo é continuar com a política de envolver o maior número possível de cidades porque consideramos todas elas importantes. Queremos transformar a parte brasileira do filme numa amostragem do Paraná. Mas se não tivermos retorno não adianta este investimento todo.’’ Chaves lembrou que as prefeituras que têm interesse em participar devem fazê-lo até abril para não atrasar as filmagens. ‘‘Precisamos pôr as contas no papel, começar nossa agenda, fazer os mapas de produção, viabilizar o elenco. Os custos de filmar fora do Rio de Janeiro são adicionais e precisa haver uma contrapartida.’’
Em janeiro, Tizuka esteve em Foz do Iguaçu onde apresentou o projeto sobre as filmagens de ‘‘Gaijin 2’’ para empresários e políticos da cidade. A cineasta solicitou ao prefeito Harry Daijó (PPB) um documento de apoio para que pudesse procurar empresários de Foz e de Ciudad del Este, no Paraguai, em busca de patrocínio para o filme. O documento foi entregue a cineasta ainda em janeiro. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, Tizuka não pediu apoio financeiro diretamente ao município, mas afirmou que se o empresariado patrocinar o longa-metragem, será montada uma cidade cinematográfica em Foz.
Maringá não se sente atingida pela cobrança que Tizuka Yamasaki está fazendo a algumas prefeituras do Paraná. ‘‘Quando a cineasta esteve visitando a cidade, o prefeito Jairo Gianoto disse que poderia colaborar na parte de infra-estrutura. Sobre o que Tizuka disse a respeito de ter de cobrar respostas de algumas prefeituras, Gianoto disse que não é o caso de Maringá uma vez que o apoio logístico já ficou garantido em conversas anteriores.
O prefeito disse ainda que as parcerias com empresas de Maringá e da Associação Cultural Esportiva de Maringá - Acema - não foram oficialmente firmadas mas que este apoio tem sido garantido através de conversas constantes. ‘‘Em conversas tenho sentido que há um grande envolvimento do empresariado e em especial da comunidade japonesa de Maringá no projeto da filmagem. Tizuka disse que Maringá é uma cidade cinematográfica. E nós não queremos perder a oportunidade de participar deste filme’’, diz Jairo Gianoto.
Já o prefeito Antonio Belinati, de Londrina, foi direto quanto às declarações da cineasta. ‘‘Preciso ver concretamente os custos no papel, quero uma proposta por escrito.’’ A Secretária Municipal de Cultura, Angela Marçal, por sua vez, reconhece que Tizuka a procurou para buscar apoio mas também afirma que em nenhum momento foram especificadas cifras ou apoios logísticos. ‘‘Reconhecemos a importância de participar do filme, temos boa vontade, mas precisamos saber em que Londrina poderia contribuir’’- disse ela acrescentando que para isso seria necessário uma ‘‘reunião objetiva’’.
De acordo com a assessoria da cineasta, um ofício contendo a proposta teria sido enviado a Belinati há alguns meses mas que até agora ele não se manifestou. Chaves também disse que sentiu do prefeito de Londrina um real interesse. Mas, ainda segundo ele, até agora não recebeu nenhuma resposta concreta.
Esta participação ‘‘mais concreta’’ a que Tizuka se refere é um apoio baseado nos seguintes aspectos. ‘‘A garantia de apoio logístico com pessoal de segurança durante as filmagens, policiamento, tomadas aéreas com helicópteros, aviões, bombeiros, liberação de espaços públicos, desburocratização na hora em que estes espaços forem necessários, alojamentos, transporte.’’
A produção a cargo de Tizuka é alta porque envolve viagens, pagamento semanal de técnicos, elencos, equipamentos. Outra resposta que a produção espera é se poderá contar com a imagem da prefeitura para fazer mediação junto a empresários na tentativa de obter patrocínios.
Os assessores de Tizuka disseram ainda que como o filme vai divulgar as cidades onde for rodado, espera-se das prefeituras uma verba para ser utilizada em veiculação na mídia. O assessor de Tizuka Yamasaki, Sergio Takao, do comitê ‘‘Gaijin II’’ em Maringá, disse que ela só vai filmar na cidade que oferecer estrutura para tal.
‘‘Sabemos que as empresas que vão contribuir serão as que dão lucro e sabemos que algumas atualmente estão revendo suas prioridades. O segundo semestre já está aí e 98 foi difícil. Esperamos um ano ainda pior, mesmo assim acreditamos na adesão de pelo menos metade das 50 empresas que contatamos.’’
Takao anunciou algumas das empresas que já compraram certificados de investimento no filme: em Maringá a Construtora Vale Azul e a Fábrica de Acolchoados Maringá Ltda. Outras tantas estão fazendo seus cálculos como uma de Jandaia do Sul. Em Londrina estão colaborando com o projeto a Sementes Mauá e a A. Yoshi Engenharia, em Curitiba a Furukawa.
Um encontro pessoal para detalhar as necessidades foi a sugestão do vice-prefeito de Assaí, Takao Aoki, uma das cidades paranaenses em que a cineasta gostaria de fazer locações para algumas cenas de ‘‘Gaijin II’’ por causa da grande concentração de descendentes nipônicos. ‘‘Não sabemos o que ela (Tizuka) quer e nossa ajuda vai depender disso. Uma reunião com ela ou com alguém de sua equipe seria necessária’’- afirma Aoki
(Colaboraram Antônio Mariano Júnior, de Londrina, e Edna Mendes, de Foz do Iguaçu).Arquivo FolhaTizuka Yamasaki está cobrando adesão das prefeituras para realizar ‘‘Gaijin II’’, idéia é divulgar os municípios em cenas do filmeCelina Alonso Az

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