TIZUKA ADIA FILMAGENS DE 'GAIJIN 2'
Antônio Mariano Júnior
De Londrina
O cronograma falhou e o jeito encontrado pela cineasta Tizuka Yamasaki foi adiar para o próximo ano ainda sem data definida o início das filmagens de Gaijin 2. A previsão era de que os primeiros gritos de câmera, ação fossem dados em setembro deste ano. Além de forçosamente arquivar por ora o projeto, a cineasta precisou rever orçamentos o que reflete, diretamente, nas locações. A contragosto, Tizuka baixou consideravelmente os R$ 8 milhões solicitados inicialmente para projetar sua obra nas telas.
Agora, como explica, ela trabalha com duas cifras no máximo R$ 2,5 milhões (custo normal de uma produção nacional) com locação feita inteiramente no Rio de Janeiro; e pelo menos R$ 4,5 milhões, caso as filmagens sejam realizadas no Japão e em outros lugares do Brasil onde haja uma boa concentração de descendentes japoneses. Por enquanto ela pode contar com cerca de R$ 1,5 milhão que viria de firmas e instituições nacionais de grande porte (como Telebrás, Banco do Brasil, Sakura, Furukawa, Fujicolor, entre outras) além de empresas de Londrina, Maringá e até mesmo Curitiba.
A captação do dinheiro será feita através das leis Rouanet e do Audiovisual (cujas importâncias seriam abatidas de impostos). No entanto, a cineasta tornou público e notório o desejo que tais leis pudessem ser invocadas principalmente pelo empresariado paranaense, se possível de Londrina e região. É que por essas bandas, segundo ela, há um contigente imenso de descendentes nipônicos. Londrina é um município rico e mesmo que a Prefeitura não tenha dinheiro, ela tem poder político para intermediar junto às grandes empresas que estão implantadas ou que estão se implantando no seu território argumenta Tizuka.
Em Londrina, a cineasta manteve sucessivos encontros com o prefeito Antonio Belinati e a secretária Municipal de Cultura, Angela Marçal. Ela teria solicitado uma ajuda de R$ 500 mil e recebido, em contrapartida, perto de R$ 50 mil, em infra-estrutura e serviços. O prefeito Antonio Belinati, por sua vez, reafirmou a vontade de ver Londrina servindo de cenário para a produção de Tizuka. Seria, como afirma, um marketing muito bom para a cidade.
Mas ele disse que é difícil a prefeitura intermediar junto às grandes empresas para que invistam nessa produção. Essa intermediação demanda tempo porque a sede de muitas empresas está em São Paulo. Ir atrás dos empresários não é trabalho fácil de se desenvolver. Além disso, esse trabalho do prefeito intermediar lá na frente, um ou outro, até por motivação política, pode dar a conotação de que o prefeito é sócio de empresas cinematográficas afirmou.
Para Belinati, uma saída seria a cineasta colocar no papel quanto cada prefeitura do Paraná poderia contribuir e, assim, saber se é ou não possível participar. Ela até pode colocar alguém em contato conosco para discutir um valor que não pese tanto para a prefeitura mas que também sirva de contribuição para ela fazer essa filmagem argumenta.
Em Maringá, Foz e Curitiba, por onde também passou em busca de recursos, as negociações com o poder público também não foram muito adiante. Até a prefeitura de Curitiba foi sondada. As andanças começaram em meados do ano passado. De lá para cá, Tizuka veio várias vezes ao Paraná, em especial a Londrina e Maringá, para tentar sensibilizar empresários e autoridades a investir em Gaijin2.
O retorno ainda não foi satisfatório. A esperança é de que até o final deste ano algo de bom aconteça. É que, de acordo com o raciocínio dela, essa é a época do ano em que as empresas já tem uma idéia, baseadas num pré-balanço financeiro, se vão poder ou não investir em empreendimentos culturais ou esportivos, que sejam.
Por esses dias, Tizuka Yamasaki deve se reunir com um assessor que está no Japão mantendo contatos com possíveis empresas lá instaladas que poderiam também entrar como patrocinadores do filme.
O Paraná
tem a cara da
imigração
Eu estou na fila
Cineasta ainda acredita que o empresariado paranaense vai investir no filme
Até quando você pode aguentar para decidir se as locações de Gaijin 2 serão no Rio ou em outros lugares?
O que se passa é o seguinte: estou recebendo uma série de propostas para dirigir outras produções. Nessa semana mesmo estava conversando com o meu sócio e disse: temos que fazer o filme, temos que fazer o Gaijin 2. Por exemplo: parei quatro meses para fazer o filme da Xuxa (NR - Xuxa Requebra, que estréia em dezembro deste ano). Daqui a pouco, paro mais quatro meses para fazer outra produção. E assim, o Gaijin 2 pode dançar. Vira um projeto velho que você engaveta e não faz mais.
Voltanto à pergunta, qual o prazo máximo que você se dá para começar a filmar?
Olha eu sempre pensei em pegar o inverno no Japão. O inverno lá começa em dezembro e eu pensei em filmar no mês de novembro e dezembro. Ou então em março que é quando está acabando o inverno e começando a primavera. Agora não dá para pegar o inverno. Nesse ano não dá mais para filmar por lá. E o ano que vem, se os resultados forem bons neste final do ano, poderei filmar. Se tiver muita grana, posso esperar.
Você acredita que o empresariado paranaense vai contribuir com você?
Eu acredito que o Paraná vá dar uma volta por cima. Ontem (quinta-feira) assisti ao Oriundi, filme que foi feito em Curitiba. Sei que grandes empresas do Paraná participaram do Oriundi e Curitiba está superbonita no filme. Acho que é um filme do qual o Paraná pode ser orgulhar. É um filme comovente, bem legal mesmo. Acho que isso também dá um ânimo para as empresas paranaenses que botaram dinheiro na produção. Sei também que está sendo feito o filme Serro Azul e isso, de certa forma, está prejudicando a captação de recursos para o Gaijin 2 porque as maiores empresas do Paraná estão compromissadas com esse filme. Ou seja, primeiro veio o Oriundi, depois o Serro Azul e depois chegou o Gaijin 2. Então digamos assim: estou na fila.
Por que você escolheu o Paraná
Eu fiz o Gaijin 1 em São Paulo... Agora me responda; onde tem a segunda maior colônia japonesa? É, no Paraná. Qual o Estado que tem a cara da imigração? O Paraná. E quem é a cineasta da imigração? Sou eu. E sou eu quem fica preocupada com essa temática porque sou dessa origem, sou do interior e tenho orgulho disso. Então, onde vou buscar dinheiro? No Paraná. Não quero que o Paraná passe em vão nessa história da imigração. Eu acho que Londrina é a capital, digamos assim, desse avanço dos japoneses no Brasil.Campanha para captar recursos não apresenta resultados no Norte do Paraná e Tizuka Yamasaki deixa o filme para o ano que vem
Arquivo FolhaTizuka Yamasaki: orçamento de Gaijin 2 pode baixar para R$ 2,5 milhões com as filmagens concentradas no Rio de Janeiro





