São Paulo, 06 (AE) - São números impressionantes para cinéfilos: 11 filmes de François Truffaut, 13 de Louis Malle, 19 de Eric Rohmer e 22 de Jean-Luc Godard. "Pode ser que haja uma diferença de um filme para cima ou para baixo, mas na essência são esses os números", diz Marcelo Mendes, do grupo Estação Botafogo, que detém o selo Filmes do Estação. Ele está falando do acordo de distribuição dos filmes do Estação com a FlashStar. Para os fãs de filmes de arte, isso significa que está ocorrendo uma segunda revolução no mercado de vídeo. A primeira foi quando surgiu o selo Cult Filmes, para distribuir os filmes da Mostra Interrnacional de Cinema em São Paulo. Agora é a vez de a FlashStar colocar nas locadoras as fitas com o selo Filmes do Estação.
São mais de 300 filmes no acervo e 150 que foram selecionados para distribuição em vídeo. Para os amantes do cinema, o pacote reserva grandes títulos dirigidos por diretores cultuados como Federico Fellini e Roman Polanski, além dos já citados Truffaut, Malle, Rohmer e Godard. O primeiro pacote, que já está chegando às locadoras este mês, tem a designação genérica de Panorama do Cinema Mundial. Inclui as fitas de "Genealogias de um Crime", "O Destino" e "Quando É Preciso Crescer".
Em junho, chegam às locadoras mais três fitas do pacote que está sendo vendido em maio. Desta vez, o princípio é outro. Em vez do panorama mundial, o que o espectador vai encontrar é uma seleção dentro do espírito dos midnight movies: "Wilde", "O Outro Lado da Cidade Proibida" e "Hype". O acordo de distribuição foi selado em dezembro passado. Vai fazer a festa dos apreciadores de arte. "Eles existem e são cada vez mais numerosos também no mercado de vídeo", diz Salomão Salem, sócio e diretor financeiro da FlashStar.
Ele conta que a Flash e o Estação já vinham namorando há tempos. A Flash tem toda uma estrutura de distribuição montada para o vídeo, mas trabalhava com títulos exclusivamente populares. O grupo Estação é detentor de 11 salas no Rio, do Espaço Unibanco de Cinema, também no Rio, de videolocadoras e da Mostra Rio. A empresa atua no mercado cinematográfico preferencialmente com títulos clássicos e filmes de arte.
A primeira tentativa da Flash de distribuir os filmes do Estação privilegiava a trilogia de Ang Lee, formada por "Pushing Hands", "Banquete de Casamento" e "Comer, Beber, Viver". Finalmente, o acordo concretizou-se. A cada três meses, três títulos novos chegarão ao mercado de vídeo. Pelos termos do acordo, informa Salem, a Flash atuará como agente de vendas, colocando as fitas, por meio de seus representantes, nas locadoras. "Vamos trabalhar comissionados", ele diz. Ao Estação caberá a tarefa de selecionar os títulos e divulgá-los.
Até outubro, serão lançados 26 filmes. Só para deixar o cinéfilo na vontade, em junho chegarão às locadoras, entre outros, "A Mulher do Lado", de Truffaut, e "Os Amantes", de Malle. A relação completa inclui "Abismo de um Sonho", a estréia de Fellini na direção (com roteiro de Michelangelo Antonioni), "Repulsa ao Sexo" e "Armadilhas do Destino", de Polanski, "Ascensor para o Cadafalso", de Malle, e Uma Mulher É uma Mulher" e "O Demônio das Onze Horas", de Godard. Títulos para ninguém botar defeito. Rental e sell thru - As fitas serão inicialmente colocadas nas locadoras para rental (aluguel), mas tanto Mendes quanto Salem destacam que a idéia é formar coleções. "Qual é o cinéfilo que não vai querer ter a sua coleção Truffaut, a coleção Godard, a coleção Rohmer?", pergunta Mendes. "Vamos lançar as fitas para sell thru (venda direta ao consumidor, sim", garante.
Truffaut talvez seja a menina dos olhos do grupo Filmes do Estação. A retrospectiva do cineasta francês lotou a sala do Cinesesc, quando foi realizada em São Paulo. Depois, os filmes foram lançados individualmente no Rio e em outras praças. "A Mulher do Lado" ficou 14 semanas em cartaz nos cinemas cariocas. Virou objeto de culto de uma nova geração de espectadores, que descobriu as densidades e sutilezas de uma das obras mais belas de Truffaut, o romântico que desconfiava do romantismo. A idéia é lançar esses filmes nos cinemas também em São Paulo, mas Mendes admite que ficou sem sala na cidade depois que o Cinesesc entrou em reforma (na verdade, o cinema está sendo reconstruído). Mas ele dá a boa novidade. Vai a Cannes negociar os direitos da série "O Ano 2000 Visto Por...", que deverá reinaugurar o Cinesesc.

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