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PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de dezembro de 2003
Maria de Los Angeles<br> Especial para Folha 2 
Senhor, dai pão a quem tem fome, E fome de justiça a quem tem pão.
(Autor desconhecido)
Se você estiver neurastênica, faça pão, se estiver solitária (o), faça pão, se estiver triste, alegre, inquieta, sossegada, faça pão. Mas faça pão principalmente, quando estiver com muitas fomes. Fazer pão não é só fazer pão, e pode ser, entre muitas outras coisas ligadas às emoções, uma grande terapia. Quando comecei a fazer pães, a cozinha virava uma nuvem de farinha, sujava muito as mãos com a massa o que era um grande desperdício da minha preciosa farinha integral. Mas quando a nuvem de poeira baixava e, finalmente, conseguia tirar meus pães do forno, começava a me entusiasmar com os resultados. Fabricar o próprio pão dá uma sensação especial de autonomia, aumenta a auto-estima despertando um outro tipo de narcisismo, inexplicável. Experimente de vez em quando fazer o próprio pão (para dar de presente é ótimo). A época natalina é muito boa para se fazer pão, apesar do calor dos fornos. Dizem as tradições do mundo ocidental, já quase todas adulteradas ou esquecidas pelos tempos modernos, que dá sorte. E, se você sempre arruma um tempinho para enfeitar a árvore, porque não para fazer um pão? A receita a seguir é excelente, experimente, ela dá super certo.
Pão de Natal
4 mandioquinhas salsa cozidas sem a pele/ 1 punhado de frutas secas e sementes da sua preferência/ 1 quilo a 1 quilo e meio de farinha de trigo integral fina/ 1 xícara de óleo ou manteiga/ 2 xícara de água morna/ 1 xícara de mel/ 1 colher de chá, rasa, de sal/ 1 ovo/ 1 colher de sopa cheia de fermento biológico ou qualquer outra levedura/ farinha de trigo refinada para manipular a massa.
Como fazer: Lave muito bem as mãos e corte as unhas. Isso é muito importante para obter uma massa asséptica e dedos ágeis de massoterapeuta. Unhas compridas para fazer pão não dão certo, a mão e os dedos vão ser a máquina, impecavelmente limpa, de misturar a massa. Bata no liquidificador ou passe pela peneira: as mandioquinhas cozidas, a água morna, o ovo, a manteiga (ou óleo) o mel, o sal. Misture bem e comece a acrescentar a farinha, aos poucos, batendo sem parar com uma batedeira. Quando virar um mingau grosso, coloque as mãos na massa, jogando farinha abundante nelas e sovando sem parar para formar uma bola homogênea que se solta do tabuleiro enfarinhado. Sempre como os trapezistas, molhando as mãos na farinha branca para manusear a massa. Dê o formato desejado, unte a assadeira, disponha os pães, deixe crescer por uma hora (cresce bastante) e leve para assar em forno pré-aquecido, até que termine de crescer, desprenda perfume maravilhoso e doure por cima. É como tocar piano. A gente só aprende tocando, mas uma vez captado o ritmo, nunca mais se deixa de fazer a paneterapia.
Maria de Los Angeles é chef de cozinha do restaurante Paella Como te Gusta e colaboradora da Folha.


