Tito Puente morre em NY
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quinta-feira, 01 de junho de 2000
Jotabê Medeiros Agência Estado 
O percussionista, vibrafonista, pianista arranjador e bandleader norte-americano Tito Puente, o homem que impôs a salsa, o mambo e o cha cha cha à linguagem do jazz, morreu na madrugada de ontem num hospital de Nova York, vítima de parada cardíaca. Tinha 77 anos e desde os anos 50 agitava o mainstream americano com suas caras e bocas e uma percussão vibrante, festiva.
Tito Puente esteve no Brasil uma única vez, em outubro de 1995, para a 10ª edição do Free Jazz Festival. Essa é a época em que a música latina tem o maior reconhecimento mundial que já experimentou, festejou Puente naquela ocasião. Era um militante da música latina e, embora tivesse nascido Ernest Anthony Puente Jr no Harlem, considerava-se porto-riquenho como seus pais.
O pai trabalhava numa fábrica e foi a mãe que o encaminhou para a música, dando-lhe lições de piano quando ele tinha 7 anos. Ela o chamava Ernestito, daí o apelido Tito.
A salsa veio de Cuba através da África, o continente-mãe, disse Puente no Brasil. Eu sou porto-riquenho, não sou cubano, mas conheço bem o caminho da salsa, assim como da Bossa Nova e o samba do Brasil também vêm pelos caminhos da África, terra que influenciou a música e a religião.
Embora fosse um embaixador da música latina, ele sabia distinguir influência real de modismos. Riu quando soube que a lambada tinha saído da ordem do dia no Brasil, ao chegar aqui. Era só uma moda e toda moda acaba rápido, disse.
A influência de Puente estende-se por várias gerações e escolas. Um dos grandes sucessos do premiado álbum Supernatural, de Santana, é a faixa Oye Como Va, composição de Puente. Ele cometeu várias barbaridades também, como atuar nos filmes Salsa (1987) e The Mambo King (1991). Tudo em prol da causa de popularizar ritmos latinos. Em compensação, participou também de A Era do Rádio, de Woody Allen.
Chamado de O Rei do Ritmo, foi um dos responsáveis pela revelação, ao público americano, da crooner cubana Célia Cruz, que cantou em sua orquestra. Eles chegaram a se apresentar juntos no Brasil, em 1995. Se eu gosto de Célia Cruz?, ele indagou. Eu sou Célia Cruz, afirmou.
Tito Puente começou a carreira como um dançarino. Seu interesse pelas big bands surgiu quando estava na marinha americana, durante a Segunda Guerra. Estudou por algum tempo na Juilliard School of Music e, entre os anos de 1945 e 1947, integrou as orquestras de Machito, Nono Morales e a sua própria, os Piccadilly Boys.


