O percussionista, vibrafonista, pianista arranjador e bandleader norte-americano Tito Puente, o homem que impôs a salsa, o mambo e o cha cha cha à linguagem do jazz, morreu na madrugada de ontem num hospital de Nova York, vítima de parada cardíaca. Tinha 77 anos e desde os anos 50 agitava o mainstream americano com suas caras e bocas e uma percussão vibrante, festiva.
Tito Puente esteve no Brasil uma única vez, em outubro de 1995, para a 10ª edição do Free Jazz Festival. ‘‘Essa é a época em que a música latina tem o maior reconhecimento mundial que já experimentou’’, festejou Puente naquela ocasião. Era um militante da música latina e, embora tivesse nascido Ernest Anthony Puente Jr no Harlem, considerava-se porto-riquenho como seus pais.
O pai trabalhava numa fábrica e foi a mãe que o encaminhou para a música, dando-lhe lições de piano quando ele tinha 7 anos. Ela o chamava Ernestito, daí o apelido Tito.
‘‘A salsa veio de Cuba através da África, o continente-mãe’’, disse Puente no Brasil. ‘‘Eu sou porto-riquenho, não sou cubano, mas conheço bem o caminho da salsa, assim como da Bossa Nova e o samba do Brasil também vêm pelos caminhos da África, terra que influenciou a música e a religião.’’
Embora fosse um embaixador da música latina, ele sabia distinguir influência real de modismos. Riu quando soube que a lambada tinha saído da ordem do dia no Brasil, ao chegar aqui. ‘‘Era só uma moda e toda moda acaba rápido’’, disse.
A influência de Puente estende-se por várias gerações e escolas. Um dos grandes sucessos do premiado álbum ‘‘Supernatural’’, de Santana, é a faixa ‘‘Oye Como Va’’, composição de Puente. Ele cometeu várias barbaridades também, como atuar nos filmes ‘‘Salsa’’ (1987) e ‘‘The Mambo King’’ (1991). Tudo em prol da causa de popularizar ritmos latinos. Em compensação, participou também de ‘‘A Era do Rádio’’, de Woody Allen.
Chamado de ‘‘O Rei do Ritmo’’, foi um dos responsáveis pela revelação, ao público americano, da crooner cubana Célia Cruz, que cantou em sua orquestra. Eles chegaram a se apresentar juntos no Brasil, em 1995. ‘‘Se eu gosto de Célia Cruz?’’, ele indagou. ‘‘Eu sou Célia Cruz’’, afirmou.
Tito Puente começou a carreira como um dançarino. Seu interesse pelas big bands surgiu quando estava na marinha americana, durante a Segunda Guerra. Estudou por algum tempo na Juilliard School of Music e, entre os anos de 1945 e 1947, integrou as orquestras de Machito, Nono Morales e a sua própria, os Piccadilly Boys.

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