Titãs e a reciclagem em 'Sacos Plásticos'
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segunda-feira, 08 de junho de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Se eles tentam algo totalmente novo, deixam de ser eles. Se fazem aquele rock de sempre e que os consagrou, estão se repetindo. Após 27 anos de estrada, lançar um novo trabalho é um desafio cada vez maior para os Titãs. Principalmente porque sempre haverá a inevitável comparação com os seus melhores trabalhos.
Mas seus integrantes continuam seguindo a mesma fórmula que os manteve como uma das maiores bandas de rock brasileiras até hoje: fazer o som que eles mesmos curtem. ''A gente sempre procura se reinventar, mas sem se descaracterizar. Mas não fazemos isso pensando no que o público vai achar, acho que quando a pessoa parte desse princípio já parte mal. Nós fazemos e nos perguntamos tá bom? Gostamos? Estamos satisfeitos?'', confirma o baterista da banda, Charles Gavin.
O recém-lançado ''Sacos Plásticos'', primeiro disco de músicas inéditas em seis anos (o último tinha sido ''Como estão vocês?'', de 2003), mostra que a banda conseguiu trazer algo novo com o mesmo som de sempre. O disco tem a cara dos Titãs. Assim, há faixas que vão agradar os mais tradicionalistas (como a canção-título do disco, ''A estrada'' e ''Deixa eu entrar''), outras que lembram a fase pós-Acústico (''Antes de você'', que está na novela das sete, é um bom exemplo), uma brincadeira com o reggae e até uma escorregada em ''Porque eu sei que é amor''. O grupo também se arrisca em faixas como ''Amor por Dinheiro'' e principalmente em ''Múmias'', que mistura ironia, irreverência e um xananana-nana duvidoso mas estranhamente necessário à canção.
O grupo levou um ano entre a escolha do repertório, ensaios e gravação final. Uma das novidades foi a produção de Rick Bonadio, que também participa de 11 das 14 faixas do disco. ''O Rick nos procurou com entusiasmo, com vontade de trabalhar conosco, e tivemos uma química muito boa'', relata o baterista. O fato de trabalharem com o mesmo produtor de Frezno, NXZero e CPM22 deixou os fãs apreensivos - injustificadamente, como se comprovou depois - quanto ao resultado do trabalho. ''O fato de ele ter trabalhado com um estilo não o impede de fazer outros'', lembra Gavin. O álbum conta ainda com a participação de Andreas Kisser, do Sepultura. E só.
Diferentemente dos discos posteriores à morte de Marcelo Fromer e à saída de Nando Reis, em que convidados davam suporte à parte instrumental, dessa vez o grupo assumiu essa responsabilidade sozinho. ''Foi estimulante. Foram desafios parecidos com os do início da banda'', comenta o baterista, de certa forma justificando, também, a presença das programações eletrônicas.
O nome ''Sacos Plásticos'' e a arte da capa, de autoria do tecladista Sérgio Britto (responsável também por boa parte das letras) remetem a uma reflexão crítica ao consumismo, mas sem panfletagem. E várias canções também se relacionam ao tema. ''O saco plástico é um objeto essencial ao nosso dia a dia, mas que ninguém dá valor. Você usa uma única vez e já tem outro pra ocupar seu lugar. E é algo que demora 100 anos para se desfazer. É um nome adequado para o disco. Ao tirá-lo da loja, será que já ficou velho e descartável?'', sugere Gavin. Esse questionamento deve fazer ainda mais sentido para o baterista, ávido colecionador de velhos discos de vinil que já relançou discos fora de catálogo e atualmente apresenta o programa Som do Vinil no Canal Brasil.
O início da turnê está marcado para setembro, e, dado o histórico de apresentações da banda na cidade, é grande a chance de passarem por aqui também, trazendo aos londrinenses a reciclagem ''sonoramente correta'' de ''Sacos Plásticos''.


