Tiro quase certeiro
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de dezembro de 2011
Mariana Trigo <br> TV Press 
Revisitar histórias que já foram sucesso e conquistaram uma polpuda fatia da audiência pode ser o caminho mais fácil para a direção das emissoras aprovar sinopses. Diante do crescimento e do investimento de mais emissoras na teledramaturgia, optar por recontar uma história que deu certo tem sido uma alternativa cada vez mais corriqueira.
Prova disso foi que, após remakes recentemente exibidos na Globo, como ''O Astro'', ''Ti-Ti-Ti'' e ''Paraíso'', a emissora já aprovou refazer produções que viraram ''clássicos''. Como ''Gabriela'', baseada na obra de Jorge Amado, e ''Guerra dos Sexos'', de Silvio de Abreu, que vai reescrever sua própria história exibida em 1984. Ambas estreiam em 2012, na grade da emissora.
Já o SBT, que apostou em remakes bem sucedidos, como ''Éramos Seis'', agora volta a investir em um sucesso mexicano exibido pela emissora. Em janeiro está prevista a estreia do remake de ''Carrossel'', que chegou a incomodar a Globo com uma audiência de 25 pontos de média em 1991. ''Também quero reescrever 'Éramos Seis' para a Globo. Foi uma novela que teve muito sucesso na versão de 1977, na Tupi, e em 1994, no SBT. Devo trabalhar nela em um ou dois anos'', adianta Silvio.
Em ''Guerra dos Sexos'', já estão confirmados nomes como Tony Ramos e Irene Ravache como os protagonistas Otávio e Charlô, interpretados, na primeira versão, por Paulo Autran e Fernanda Montenegro. Ainda na Globo, ''Gabriela'', de Walter George Durst, que estreia ainda no primeiro semestre de 2012, adaptada por Walcyr Carrasco, terá Juliana Paes no papel principal, que foi de Sônia Braga na primeira versão. ''Já escolhemos locações em Ilhéus (na Bahia). Está tudo bem adiantado'', avisa Walcyr.
Também dirigida por Walter Avancini, assim como ''Gabriela'', a trama ''Saramandaia'', de Dias Gomes, também está na fila para ser reescrita. O projeto é de Ricardo Linhares, que sempre faz dobradinha na autoria das tramas de Gilberto Braga. ''É natural fazer muitos remakes. É como remontar uma peça ou refazer um filme. Se 'Romeu e Julieta' sempre são remontados, por que não fazer de novo 'Guerra dos Sexos', por exemplo?'', questiona o autor.
Lauro César Muniz, que vendeu os capítulos de ''As Pupilas do Senhor Reitor'' para o SBT em 1994, acredita que diversas tramas dele poderiam virar remakes. ''Valeria a pena refazer 'O Salvador da Pátria' para corrigir a censura que a história teve em 1989 e que me obrigou a modificar o final. E também 'Um Sonho a Mais', 'Transas e Caretas' e 'Aquarela do Brasil', que sofreu por uma produção e direção equivocadas'', esmiuça o autor.
Mas nem sempre uma história pode ser recontada na íntegra na tevê. Tramas exibidas há mais de duas décadas, por exemplo, normalmente precisam ser readaptadas, ganhar novos personagens e uma roupagem mais contemporânea. Além disso, décadas atrás os capítulos costumavam ter a metade do tempo de hoje, o que exige que os autores criem novos núcleos de personagens para aumentar a história.
Para atualizar ''Ti-Ti-Ti'', de Cassiano Gabus Mendes, exibida há 26 anos, Maria Adelaide Amaral teve de reformular a história. ''A moda brasileira se industrializou e se democratizou muito. Conversei com as consultoras de moda Glorinha Khalil, Constanza Pascolato e Maria Prata, que me ajudaram bastante'', destaca Maria Adelaide.
O mesmo aconteceu com os autores Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, que readaptaram ''O Astro'', de Janete Clair. ''A novela escrita em 1977 conservou pilares sólidos. Seria bobagem mexer no que é bom, mas tivemos de adequar muitas coisas porque o país mudou muito em mais de 30 anos. Mas a genialidade da Janete estava toda lá'', observa Alcides.
Para Marcílio Moraes, o fato de ter tido contato com o texto de Janete Clair ao adaptar ''Irmãos Coragem'' na Globo, em 1995, foi uma das experiências mais relevantes em sua carreira. ''Foi uma lição de teledramaturgia. Pena que a audiência não foi boa. O texto também já estava ultrapassado'', lembra Marcílio, que defende que a profusão de remakes na tevê só peca por engessar a criatividade na teledramaturgia. ''Seria melhor se as emissoras apostassem em ideias novas. Essa onda de remakes se deve à falta de ousadia dos executivos das emissoras, que têm medo de arriscar novos formatos'', analisa o autor.


