Um grupo de atores é submetido às tiranias do diretor. Nenhum deles possui um nome próprio. Todos são chamados por números. O próprio diretor da trupe não tem nome: é o Diretor 22.479. Esse é o ambiente sinistro da peça ''De Volta à Platéia'', quinto espetáculo da Cia. Teatro de Garagem, que estréia hoje, às 18h30, na Praça Marechal Floriano Peixoto.
É o segundo espetáculo de rua do grupo. Com dramaturgia e direção coletivas, o trabalho partiu de um texto do ator Everton Bonfin, ao qual foram justapostos fragmentos de poemas de autores como Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Ferreira Gullar e Hilda Hilst. Segundo Danilo do Amaral, outro integrante da companhia, a peça aborda a imposição de poder dentro do processo de criação teatral mas procura generalizar o tema às relações da sociedade como um todo.
''Todos nós, enquanto profissionais ou cidadãos, enfrentamos dificuldades cotidianas de organização do trabalho. Há sempre um patrão a vigiar e explorar a força de trabalho alheia de forma injusta'', assinala. Ao aproximar o drama no palco da vida cotidiana do espectador, o espetáculo busca desmistificar o ofício de ator.
''Por um lado, o artista é muito endeusado. Por outro, ele é pré-julgado como drogado, homossexual ou louco. Tentamos desmascarar esses estereótipos mostrando que ele é uma pessoa que também obedece ordens e engole sapos como todo mundo'', salienta Amaral. Além dos dois citados, o elenco conta com a atuação de Ana Sardinha, Laura Lago, Letícia Ferreira e Manu Arruda.
O figurino, o cenário, a produção e a programação visual são de Alex Lima e Daniele Stegmann. Meire Valin cuidou da preparação vocal e Thais D'Abronzo foi responável pelo treinamento dos atores. Patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), o espetáculo fica em cartaz até o dia 22 de novembro.

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