Tiradentes pede passagem
Tiradentes pede passagem
Cidade-patrimônio há 60 anos, terra do
herói inconfidente quer integrar o
circuito histórico de Minas Gerais
Agência Estado
ReproduçãoPatrimônioO casario colonial de Tiradentes: Cerca de 40% das casas localizadas na área tombada pertencem a paulistas, cariocas e estrangeiros.Pequena, charmosa e bonita, Tiradentes esteve por muito tempo fora do badalado circuito das cidades históricas de Minas. Mas a Secretaria da Cultura do Governo de Minas Gerais tratou de corrigir isto incluindo a cidade na lista atualizada dos roteiros históricos obrigatórios onde figuram Ouro Preto, São João Del Rey, Diamantina e Congonhas do Campo. Um projeto para incentivar o turismo cultural e consolidar a cidade como centro histórico já está em prática. A proposta é deixar Tiradentes pronta para receber visitantes em qualquer época do ano, sem sofrer, por isso, com a descaracterização de seu patrimônio. A estratégia para tornar o sítio histórico do século 18 produtivo cultural e economicamente prevê, ainda, investimentos em infra-estrutura e melhoria na qualidade dos serviços.
Distante 200 quilômetros de Belo Horizonte e 480 km de São Paulo, Tiradentes recebe mais turistas no inverno, época em que, diariamente, 2 mil pessoas buscam seu aconchego. Perfeita para o descanso e passeios tranquilos, de dia ou à noite, o sossego da cidade conquistou dezenas de visitantes, que, seduzidos por seu charme, decidiram mudar de vez para lá. Cerca de 40% das casas localizadas na área tombada pertencem a paulistas, cariocas e estrangeiros.
Patrimônio Histórico desde 1938, Tiradentes já foi chamada de Arraial de Santo Antônio, São José do Rio das Mortes e Vila São José Del Rey, até que a República resolveu homenagear o herói da Inconfidência Mineira e o nome foi trocado em 1889. Construída em uma encosta, nos arredores do Rio das Mortes, a cidade, onde vivem 5,5 mil pessoas, tem oito igrejas e um dos mais conservados conjuntos arquitetônicos do País.
A Matriz de Santo Antônio, erguida em 1710, é a segunda no Brasil em aplicações de ouro. Diz-se que há 400 quilos do metal nobre ornamentando a igreja. O casario colonial restaurado dá ao turista a impressão de o tempo não ter passado ali. O Solar Ramalho o mais antigo sobrado de Tiradentes foi restaurado em 1996 e abriga, hoje, a Orquestra e Banda Ramalho, além de ser sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
As artes e os monumentos floresceram na cidade mesmo após o declínio da mineração e Tiradentes chega ao final do século 20 com o charme que vem da simplicidade e elegância características de suas ruas, casas, pousadas e de seus restaurantes. De acordo com a representante do Iphan em Tiradentes, Maria Izabel Câmara, a conservação das construções históricas é espontaneamente assumida por seus moradores. Tiradentes vive somente do turismo e é importante preservar seu patrimônio.





