Tipos diversos, mesma intenção
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
O Cabaré do Filo nasceu sem avisar. A princípio, eram integrantes das companhias que participavam do festival e se reuniam para beber e gastar boas horas de conversa após os espetáculos, movimentando também um público interessado no assunto. Ele só foi batizado com este nome em 1988, quando apresentou Ângela Maria, Cauby Peixoto, Paulo Moura, Arnaldo Antunes, entre outros nomes em shows que marcaram data. Desde sua criação, o espaço agrega os tipos mais diversos com a mesma intenção: estar bem acompanhado - seja de amigos, parceiros ou do próprio artista - e se divertir.
Radicado há sete anos em Londrina, o empresário Herlon Oliveira é frequentador assíduo dos espetáculos teatrais do Filo. Entretanto, o show de Elza Soares, que aconteceu na última quinta-feira, foi a sua grande estréia no Cabaré. ''Achei este espaço maravilhoso, com todas estas obras interativas. É um evento que ficou bem à altura do festival, até porque Londrina já tem um público que consome cultura. A estrutura é legal, tem estacionamento. Só falta o 'povão', pois os ingressos não estão acessíveis para quem não é estudante ou aposentado''.
O amigo Ricardo Vidal, gerente de projetos, se deslocou de São José do Rio Preto (SP) para conhecer o Cabaré, já que sempre vem aos espetáculos do Filo. ''Estou achando excelente, é um espaço interativo. Quem faz muito isso é Ferreira Gullar. A arte não tem que se acomodar, por isso não acho necessário sentar; tem que circular, ficar em pé, porque esta é a proposta: ser imprevisível, para o público atuar e ter os artistas como pano de fundo também''.
De acordo com a coordenação de bilheteria do Filo, a cada edição do Cabaré, a média de público chega a atingir 20 mil pessoas quando há na programação mais de quatro dias de show. Na edição comemorativa dos 40 anos do festival, aproximadamente seis mil pessoas já circularam pelo espaço cênico-musical.
O aumento do preço dos ingressos é uma das reclamações do comerciante Mauro Malinoski, que já desfrutou do Cabaré três vezes. ''Não acompanho as peças de teatro, apenas alguns shows. Mas poderia ter mais conforto. Para este ano, além da Elza Soares, vou aos shows do Ney Matogrosso e do Fundo de Quintal'', comentou. Sua esposa, Néia Malinoski compartilha da opinião. ''Se você compra ingressos para três shows, fica muito pesado financeiramente. Aqui em Londrina, a gente quase não tem shows, então, quando têm, a gente aproveita. Acho que se fosse 50% mais barato, mais gente teria acesso. Também acho que o local deveria ser mais aconchegante, sem ter que pisar na terra - ou lama, quando chove. A cidade tem potencial para ter uma estrutura melhor'', revelou a comerciante.
Desde 1989, o editor Marco Pellegrini é figura permanente no Cabaré. Para ele, seria interessante se houvesse uma estrutura artística que valorizasse ainda mais os shows. ''O que temos hoje são barracões com espaços deliciosos que muito me agradam. São amplos, com esculturas artísticas e o pessoal é muito divertido. Quanto à acústica, eu acho que deveria ter uma preocupação melhor para não provocar tanta reverberação. São pequenos detalhes que acabam não prejudicando o todo'', avalia.
Pellegrini também observa que outros talentos cujos trabalhos não são divulgados pela grande mídia deveriam ser incluídos. ''É a mesma fórmula de sucesso que vem sendo adotada ano a ano. Trazer grandes artistas é super legal também, entretanto uma boa proposta seria aumentar as apresentações de músicos locais''. Entre os shows assistidos, o editor inclusive já teve seus momentos de 'tietagem', como quando foi ao camarim do pernambucano Lenine e recebeu um abraço de recordação.
Entre palmas, assovios, cantos e recantos, o Cabaré acolhe todas a todos.


