Tipo inesquecível
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Geraldo Bessa <br> TV Press 
Uma novela de sucesso é resultado de um trabalho conjunto de autor, diretor, equipe técnica e elenco. No entanto, para o grande público, o que fica na memória é a repercussão em torno da trama e dos personagens que se destacaram. Como é impossível prever o que realmente vai ''bombar'', bons personagens não são obrigatoriamente os de maior destaque, mas aqueles de ação mais marcante ou original dentro da história. São esses papéis inesquecíveis que elevam a carreira dos atores a outro patamar, tornando-os conhecidos nacionalmente e ''cabeças'' de produções futuras.
Gabriel Braga Nunes sabe muito bem das mudanças que um papel pode acarretar. Com mais de 15 anos de tevê, divididos entre papéis pequenos em novelas globais e cinco anos na Record, Gabriel voltou à Globo no ano passado para cobrir a lacuna deixada por Fábio Assunção em ''Insensato Coração''. O folhetim de Gilberto Braga pode não ter sido um grande sucesso, mas garantiu prestígio ao ator. Além de o personagem principal de ''Amor Eterno Amor'', próxima novela das seis. ''Foi tudo inesperado. E acho que deu muito certo. Já fiz personagens maravilhosos. Mas o Léo, um vilão sem escrúpulos, foi meu encontro com o público'', valoriza Gabriel.
Muitos personagens funcionam como ''cartão de visita'' dos intérpretes. Alguns demoram anos - e muitas novelas - para conseguirem um papel de destaque. Enquanto outros contam com a sorte de principiante. Descoberta em ''Malhação'', e atual protagonista de ''A Vida da Gente'', Fernanda Vasconcellos credita à doce Betina, que interpretou na temporada 2005/2006 da novela ''teen'', seu passaporte para personagens mais densas e de tramas importantes da emissora, como ''Páginas da Vida'', de Manoel Carlos, exibida em 2006. ''Fiquei com medo daquela troca normal de temporada que acontece em 'Malhação' , até que surgiu o convite para a novela do Maneco. Foi bom sentir a aposta da emissora no meu trabalho'', conta a atriz.
''Malhação'' é o grande celeiro de novos rostos do horário nobre. Da novelinha, surgiram nomes como Cauã Reymond, Sophie Charlotte, Bianca Bin, entre outros. ''É como se fosse um teste de elenco. Se você se sair bem, é possível que outros trabalhos apareçam. 'Malhação' foi muito importante para mim. Mas a Fátima, de 'Passione', me deu uma maturidade necessária'', assume Bianca Bin, que menos de um ano depois do fim do folhetim de Silvio de Abreu, deu vida à corajosa Açucena, a protagonista de ''Cordel Encantado'', de 2011, um dos maiores sucessos recentes do horário das seis.
Outro nome de destaque de ''Cordel'', assinado por Thelma Guedes e Duca Rachid, foi o de Domingos Montagner, intérprete do Capitão Herculano. Com 25 anos de carreira no teatro e no circo, Domingos não queria saber de tevê. Até que começou a ser chamado para participar de séries como ''A Cura'' e ''Divã''.
O visual áspero do ator chamou a atenção dos produtores de elenco da emissora. ''A repercussão de 'Cordel Encantado' foi muito boa, além do que eu esperava. Houve, sem dúvida, essa história de passarem a me ver como galã. Essa tendência de chamar atenção pelo físico é muito forte e presente na tevê'', analisa Domingos, que depois de Herculano, ganhou o papel principal da minissérie ''O Brado Retumbante''.
Atores com densa formação teatral, geralmente por falta de tempo ou interesse, demoram a estrear e a fazer sucesso na tevê. Dan Stulbach, por exemplo, já tinha 15 anos de carreira nos palcos, quando deu vida ao violento Marcos, personagem de ''Mulheres Apaixonadas'' que colocou o ator no primeiro time da Globo. ''Foi uma loucura. Era um desconhecido. De repente, tudo mudou, chegaram até a me agredir na rua por causa das maldades do Marcos. Fazer tevê faz parte da minha escolha em ser ator, de querer estabelecer uma relação com as pessoas'', ressalta Dan, que, atualmente, interpreta o Paulo, de ''Fina Estampa''.


