Modernizar as indústrias de confecção do norte do Paraná, criando um pólo têxtil competitivo e globalizado é um dos objetivos do Programa Paraná-Europa, que na semana passada trouxe a Londrina a estilista italiana Enrica Zilioli. Com experiência de 20 anos na área de moda, Enrica dá aulas no Instituto Profissional Primo Levi, em Parma, tem grife própria e é consultora de indústrias de confecção que integram o Grupo Financeiro Têxtil GFT, que já lançou no mercado nomes como Armani e Ferré.
A vinda de Enrica à cidade foi o primeiro passo para a concretização da parceria entre a Itália e o Paraná no setor de moda. Os contatos feitos em Londrina já renderam bons resultados, como o curso de um mês que ela dará aos alunos de Estilismo em Moda, da UEL, agendado para fevereiro do próximo ano, e a assessoria que prestará a empresas locais. Há ainda a possibilidade de haver joint ventures com os confeccionistas, que produziriam as coleções com a marca de Enrica, e em troca teriam acesso ao know-how italiano. ‘‘Assim conseguiríamos fabricar roupas com a qualidade e o corte made in Itália a custos baixos e com preços competitivos’’, diz Cidinha Souza, responsável pelo setor empresarial do Programa Paraná-Europa.
A visita da estilista a Londrina foi resultado da missão têxtil feita por um grupo de empresários paranaenses ao Consórcio Parma-Couture, na Itália, em maio deste ano, atendendo à solicitação do Sivepar (Sindicato do Vestuário do Paraná). O Consórcio reúne vários empresários de confecção da região de Emília Romagna, no norte da Itália, conhecida internacionalmente pelo desenvolvimento econômico baseado no modelo produtivo da pequena e média empresa, que gera e distribui riquezas. ‘‘É o melhor exemplo a ser seguido pelo Paraná, um estado em desenvolvimento, onde também predominam as pequenas e médias empresas’’, diz Marco Veronesi, diretor do Programa Paraná-Europa.
Segundo ele, a indústria de moda do norte do Paraná está em crise, pois apresenta muita quantidade e pouca qualidade. ‘‘Estamos em um território de muitos doentes; alguns muito graves’’, avalia. Com a tecnologia italiana, uma das melhores do mundo no setor, seria possível reverter a situação e transformar o Estado em pólo de exportação para o Mercosul e o Japão. Na opinião de Enrica, falta conhecimento técnico à moda brasileira de modo geral. ‘‘Gosto muito da criatividade e do uso de cores dos estilistas brasileiros, mas quase todos são autoditadas. Uma pessoa que conhece técnicas de modelagem, corte e costura percebe as falhas’’, observa.
As principais responsáveis por esse problema, segundo ela, são as tradicionais escolas de moda que se limitam a ensinar os alunos a desenhar. ‘‘É preciso saber muito mais do que isso porque a figura do estilista, que só esboça modelos, está desaparecendo. As indústrias estão em busca de profissionais que tenham um conhecimento amplo do setor’’, avisa. Passando longe de modismos, Enrica cria roupas práticas, destinadas a mulheres dinâmicas, que trabalham e precisam estar sempre bem-vestidas. ‘‘A moda italiana é menos inovadora que a francesa, mas por ser básica permanece mais tempo no mercado’’, salienta a estilista, que é contrária ao uso de tecidos de fibras sintéticas, uma das tendências mais fortes da moda atual.
‘‘O resultado estético do tecido natural é sempre superior. Algumas vezes, encontro roupas que parecem mal acabadas, mas na verdade é o tecido sintético que não ajuda’’, constata. Enrica volta a Londrina em setembro para apresentar o desenvolvimento da produção de uma empresa local (que por enquanto prefere ficar no anonimato).

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