No ano passado, Curitiba foi a única cidade a receber uma edição extra do Tim Festival, inclusive com as atrações principais, como Patti Smith, Yeah Yeah Yeahs e Beastie Boys. A experiência foi bem recebida pelo público, agradou a organização e a capital paranaense volta a ser escolhida para sediar as principais bandas deste ano fora do Rio e de São Paulo. A vinda de atrações do peso no próximo dia 31, como de Arctic Monkeys, The Killers, Bjork e Hot Chip, não acontece por acaso.
''Curitiba tem se tornado cada vez mais importante para o cenário musical brasileiro. A cidade tem um passado, tanto de público como de música, e o Tim Festival tenta resgatar um pouco essa tradição'', elogia um dos curadores do Tim Festival, Ronaldo Lemos, responsável pela produção nacional das atrações brasileiras e estrangeiras nos gêneros pop, rock e eletrônico.
A escolha de Curitiba pela organização nacional do Tim Festival mais uma vez acontece devido ao sucesso da edição anterior, que levou cerca de 15 mil pessoas à Pedreira Paulo Leminski. ''Em time que está ganhando não se mexe. Quase nada vai mudar em relação ao ano passado e esse ano a expectativa é de público maior, de 22 mil pessoas'', afirma Consuelo Cornelsen, produtora-geral que coordena a equipe local do festival, que movimenta diretamente cerca de 200 pessoas nos bastidores.
Assim como aconteceu no ano passado, a escolha da lista de artistas presentes no festival vai de encontro com o que há de novo no cenário musical mundial. ''A regra é trazer coisa nova, o que há de mais interessante na música em determinado momento, montar uma composição artística bacana e de acordo com a disponibilidade dos artistas'', explica Lemos. Bjork, que já veio ao Brasil, é uma exceção. ''Existem exceções, como a Bjork, que já veio mas quando veio ela era uma outra artista, de porte bem menor. Hoje ela atrai multidões de 80, 90 mil pessoas'', destaca.
Em Curitiba, apesar do nome, o Tim Festival não terá aquele formato de festival como no Rio e em São Paulo, com várias atrações ao mesmo tempo. ''O centro do Tim Festival tem sido o Rio, onde ele se desdobra na íntegra, mas também temos conseguido levar todos os artistas para São Paulo. Todo mundo sabe que não dá pra os artistas circularem em todas as cidades, nenhum deles consegue ter mais de duas ou três datas no Brasil, isso é muito difícil de negociar'', conta Lemos. E, desta vez, não haverá atrações nacionais por aqui, como a Nação Zumbi, em 2006. ''A proposta é trazer shows que o pessoal não costuma ter a oportunidade de ver normalmente em Curitiba'', justifica.
''Apesar do número de atrações ser menor do que no Rio e em São Paulo, o peso é extraordinário. Bjork, Arctic Monkeys e The Killers fecharam com os maiores festivais este ano, como o Coachella ou o Glastonbury'', argumenta o curador. Assim como na edição passada, em que públicos distintos se misturaram e alternaram o ''gargarejo'' na Pedreira Paulo Leminski, a idéia é promover mais uma vez essa ''salada musical''. ''A gente valoriza misturar tribos diferentes. Quem vai ver o Arctic Monkeys pode até querer ver o Hot Chip. Só que, apesar deles fazerem parte de uma cena musical na Inglaterra, são completamente diferentes e fazem shows bem diferentes'', reflete Lemos.
A Pedreira Paulo Leminski, aliás, foi a escolha óbvia para mais uma edição. ''A Pedreira representa o que a gente tem de melhor na cidade, é muita bonita e tem uma estrutura moderna'', frisa Consuelo. ''A Pedreira é muito bacana e interessante, principalmente para os artistas que vêm de fora. É uma experiência nova para eles e ajuda o pessoal a conhecer lugares diferentes do Rio e de São Paulo, dá uma visão melhor do que é o Brasil'', concorda Lemos.
Assim como no ano passado, Curitiba não terá eventos paralelos nesta edição. ''A equipe está se concentrando na realização dos shows mesmo. As montagens de tudo na Pedreira já começam no dia 22 e o público pode aguardar muitas surpresas visuais'', diz Consuelo.
E, mesmo sem a edição deste ano sequer ter acontecido ainda, Lemos adianta o que há por vir. ''Vamos continuar tentando trazer o Radiohead. Todos conhecem e aguardam a banda e eles estão passando por um momento interessante, com disco novo. Vamos tentar novamente'', adianta. E Radiohead viria a Curitiba também? ''Espero que sim, vamos torcer'', conclui o curador.

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