A história do Descobrimento do Brasil é diferente no litoral de Pernambuco. Lá, o que se sabe como verdade é que quem primeiro chegou e registrou o Termo de Posse foi o navegador espanhol Vicente Yáñes Pinzón, três meses antes do português Pedro Álvares Cabral e mil quilômetros acima de Porto Seguro (Bahia). Quem garante esta versão são os moradores da praiana Cabo de Santo Agostinho, um dos 185 municípios pernambucanos, região histórica de lindas baías, onde o espanhol teria pisado primeiro que o navegador português, em 26 de janeiro de 1500.
Se foi na Praia do Cabo (como é conhecida) ou não, não vem muito ao caso depois de 501 anos. O fato é que só agora a região começa a ser descoberta pelos turistas, até porque o município é vizinho do famoso Porto de Galinhas e suas conhecidíssimas piscinas naturais.
Nos últimos dois anos centenas de turistas brasileiros e estrangeiros passaram a conhecer mais profundamente a região do Cabo, município com 153 mil habitantes e 447 quilômetros quadrados, localizado a apenas 39 quilômetros ao sul do Recife.
São nove praias espalhadas por 24 quilômetros. As mais conhecidas são Calhetas, Gaibu, Xaréu, Itapoama, Santo Agostinho e Suape, bem próximo do importante Porto de Suape. Algumas dessas praias têm os deslumbrantes arrecifes naturais, tão retos e quase perfeitos que parecem ser uma obra do homem.
Além de belas praias e areias, a região é rica em mata. Tem um dos maiores potenciais ecológicos de Pernambuco, com rios, cachoeiras e manguezais, sem contar os interessantes sítios históricos e seculares. Muitas ruínas ainda exalam ares do Brasil pré-colonial. Existem pelo menos 14 pontos de visitação histórica.
A questão histórica é tão importante para os moradores da região que até a língua espanhola corre solta. Ninguém por lá admite a história de Cabral e suas naus e caravelas, tanto que a data do Descobrimento do Brasil é comemorada no município em 26 de janeiro. ‘‘É a face mais verídica da nossa história’’, propagandeiam folhetos turísticos distribuídos pela Prefeitura da cidade que já se chamou Cabo de Santa Maria de la Consolación, bem ao estilo ibérico.
Por que os espanhóis, então, não oficializaram a descoberta do Brasil? Porque, na época, vigorava o rígido Tratado de Tordesilhas (1494-1750), explicam os guias turísticos pernambucanos. O tratado traçou um meridiano imaginário, estabelecendo que somente as terras localizadas a 370 léguas a oeste do Arquipélago de Cabo Verde, no Atlântico, pertenciam à Coroa espanhola. As que estivessem a leste eram dos portugueses.
Tanto Cabo de Santo Agostinho como Porto Seguro, onde Cabral aportou três meses mais tarde, estavam do lado de cá do meridiano. Vicente Pinzón, portanto, não queria arrumar briga numa época em que as superpotências marítimas luso-espanholas viviam às turras. Mas pisou a terra e marcou história na região.
No local onde Pinzón esteve hoje existe o povoado de Vila de Nazaré, lugar da histórica Igreja de Nazaré que começou a ser erguida em 1597 pelos invasores holandeses e posteriormente concluída pelos portugueses. Até hoje reza-se missa lá. Nazaré também tem ruínas de um antigo quartel português e do forte Castelo do Mar, outro ponto bastante visitado no Cabo. As ruínas do Convento Carmelita, ao lado da igreja, e o Farol do Cabo de Santo Agostinho, de 1883, que até hoje funciona, são outras atrações.
Cerca de 800 metros abaixo do farol estão as ruínas da antiga casa do faroleiro, que remonta ao século XVII. Ali ficava o ‘‘farol velho’’. Todos esses pontos de visitação são de fácil acesso por trilhas ou pistas bem assentadas, embora sejam de terra batida.
O interesse pelas praias e pelos pontos históricos cresce a cada ano. Segundo o guia turístico Luiz Ferraz, da Agência Luck Viagens e Turismo, a maior empresa do ramo no Nordeste, a chegada de turistas tem chamado a atenção nos últimos dois anos. ‘‘São brasileiros do Sul do país e muitos portugueses, principalmente os chamados finalistas, estudantes portugueses que se formam na faculdade e, para comemorar, vêm em turmas para Pernambuco’’. A TAP (viação aérea portuguesa) faz dois vôos regulares diariamente entre Portugal e Recife. Todo o litoral sul de Pernambuco também recebe levas dos nossos ‘‘hermanos’’ argentinos.
Outro passeio imperdível é feito de barco pelos manguezais da região, que cortam as ilhas do Barreiro, das Cobras e das Canas. O canal do manguezal tem 3,5 quilômetros de extensão e fica perto do movimentado Porto de Suape. Além de apreciar as belezas naturais do mangue, o turista pode pescar no local.
O texto e as fotos foram enviadas pelo jornalista de Londrina Marcelino Jr., que esteve em Cabo de Santo Agostinho a convite da TAM Linhas Aéreas e Ínnova Turismo.

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