Tibagi reserva cachoeiras e cânions surpreendentes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Adriana Moreira<br> Agência Estado 
Tibagi - Tibagi, no Paraná, orgulha-se do título de ''melhor cidadezinha do Brasil'', de suas origens no tropeirismo e de seus atrativos naturais, que começaram a ser criados há 450 milhões de anos, quando a região ainda era coberta pelo mar. Hoje, cachoeiras, paredões e pedras esculpidas pelo vento convidam os aventureiros a explorarem um pouco dessa paisagem, que começa agora a ser descoberta pelos turistas.
Boa parte deles vem atraído pelo Parque Estadual do Guartelá, de 789 hectares, criado em 1992. A área protege o cânion do Rio Iapó - o sexto maior do mundo, com 32 quilômetros de extensão e altitudes que variam de 700 a 1.200 metros acima do nível do mar. Logo na entrada, há um centro de visitantes, com banheiros.
Quem chega assiste a um vídeo sobre a região e obtém informações sobre as trilhas existentes no parque. Há trechos bem sinalizados, para serem explorados por aventureiros de todas as idades, sem a necessidade de um guia. Entre eles, está a trilha para a Cachoeira da Ponte de Pedra. O nome se deve à forma da rocha que fica na frente da queda-d'água. Por questões de segurança, não é mais permitido que os turistas atravessem a ponte natural.
Também é possível chegar sem dificuldades aos Panelões do Sumidouro. A ação da água no arenito criou grandes buracos em meio às corredeiras, que proporcionam uma verdadeira hidromassagem. O difícil, especialmente nessa época do ano, é encarar a água gelada, mas os corajosos não se arrependem. É revigorante!
Acompanhada dos filhos e netos, Maria Astrogilda Schimid, 78 anos, foi ao mirante do cânion do Rio Iapó e aos Panelões do Sumidouro. Bem-humorada, ela caminhava devagar, mas cheia de energia. ''Adoro andar. E aqui é muito lindo.''
Pinturas rupestres
Alcançar outros pontos do parque, como a área conhecida como ''mini Vila Velha'', só mesmo com o auxílio de um guia. O nome refere-se à cidade paranaense famosa pelas gigantescas esculturas em arenito, também criadas pela ação do vento.
As formações despertam a imaginação dos visitantes e merecem alguns cliques. Um olhar criativo pode transformar o arenito em cachorro, trio de dançarinos, pato, tartaruga... Alguns parecem ter sido equilibrados cuidadosamente. Outros, realmente estão - por isso, os visitantes devem ter cuidado e não se arriscar nas proximidades dos penhascos.
O caminho é recheado de surpresas. De tempos em tempos, mirantes se revelam, para observar o Rio Iapó de vários ângulos. Um colírio, especialmente para os olhos urbanos. Nas grutas que serviam de abrigo para os índios caingangues, antigos moradores da região, há pinturas rupestres de até 3 mil anos. ''Eles usavam hematita, misturada com gordura animal, para retratar o dia-a-dia'', explica o guia Eric Tadeu dos Santos, da empresa Águas Vivas.
Ver os desenhos de perto exige um certo contorcionismo - é necessário encarar uma passagem estreita entre as pedras. Entre os desenhos identificados, há uma jaguatirica, a cabeça de um cervo e um homem com uma vara de pescar.
A vegetação pelo caminho surpreende. Um olhar cuidadoso descobre uma incrível diversidade de ecossistemas. Há trechos de mata atlântica, com bosques úmidos e densos, que se abrem para a vegetação típica do cerrado - o mandacaru, espécie de cacto, é bem comum. E não seria uma paisagem paranaense se as coníferas não estivessem por lá.
O percurso, desde a saída do centro de visitantes, dura cerca de quatro horas - com direito a várias paradas para fotos e um providencial lanche. Não se esqueça de levar água e repelente.


