Todos os dias foi a mesma coisa. Hordas de fãs - crianças, adolescentes e ansiosos marmanjos - lotaram a praia da Barra (zona oeste), na altura do Posto 3, no Rio de Janeiro. Era ali que estava montada até o último sábado a lona do Programa H, de Luciano Huck, na Rede Bandeirantes.
Cantores de pagode, grupos de música baiana conhecidos nacionalmente passaram por lá, mas nada atraiu mais a atenção dos olhares da platéia carioca do que ela: Suzana Alves, 20 anos, 1m63 de altura, 50 quilos e generosos 93 centímetros de quadril. Na pele da personagem sadô Tiazinha, com direito a apetrechos (máscara, espartilho e chicotinho), ela depilou sem dó suas vítimas - todas homens, lógico.
A cena foi vista pela última vez na sexta-feira. Depois de 19 dias, o programa encerrou sua temporada no Rio. Mas não era preciso mais tempo para que essa paulistana da humilde Fraguesia do Ó, já cantada em outras eras pelo baiano Gilberto Gil, fosse eleita como a musa do verão carioca.
Agenda lotada de shows, assédio diário da imprensa, convites para fazer programas em emissoras concorrentes, autógrafos, Suzana ainda aparece assustada com a fama.
‘‘Estou achando tudo maravilhoso, meu’’, comenta. Precavida, ela só anda agora acompanhada de uma entourage, que inclui dois seguranças, além da produtora Angela Karam - uma espécie de segunda mãe da menina. A coroação como musa do verão carioca, porém, só virá na segunda-feira de carnaval, quando ela sairá como madrinha da bateria da Tradição, acompanhada da dançarina Adriana Bombom, do Planeta Xuxa, e das modelos Alessandra Scatena e Rosiane Pinheiro, que perdeu o título de morena do grupo É o Tchan para Sheila Carvalho.
A convite da Agência Estado, Suzana esteve na sexta-feira na quadra da Tradição, em Campinho (zona norte), para uma sessão de fotos - a primeira fantasiada. ‘‘Ela só veio aqui uma única vez para assistir a um ensaio’’, lamenta o presidente da escola, Nésio Nascimento, filho do lendário Natalino José do Nascimento, o Natal, um dos fundadores da Portela.
A morena, que acabou de vez com o império das loiras, brilhou. Foi um corre-corre à quadra de crianças, e de gente nem tão mais criança assim, para ver e, se possível, tocar na musa. A ponto de Nésio ter que mandar fechar o portão de entrada. ‘‘Quero ser que nem ela’’, suspirava a pequena Luciana Santos, de 11 anos, com os olhos brilhando. Até o presidente da escola quis posar para fotos com sua filha Rafaela, de 7 anos, ao lado de Tiazinha.
‘‘Vai ser páreo duro, mas, sem dúvida, ela tem tudo para ocupar a vaga de madrinha número um e realizar um casamento duradouro com a Tradição’’, comentava o entusiasmado presidente, referindo-se às outras três modelos que vão dividir a tarefa com Suzana. A responsabilidade é grande, afinal a vaga já foi ocupada pela modelo Luma de Oliveira, que trocou a escola pela Unidos do Viradouro, de Niterói.
Na própria sexta-feira, Tiazinha já sentiu o peso do cargo. O mestre Dacopê fez questão de entregar em mãos o troféu que lembra seus 10 anos dedicados à bateria da Tradição. A deferência foi respondida à altura.
‘‘Não vou decepcionar’’, afirmou a modelo, que, apesar de nunca ter sido uma fã ardorosa de carnaval, garante estar pronta para enfrentar os holofotes da Marquês de Sapucaí. Sua arma? Quinze anos de aulas de dança, oito dos quais como bailarina clássica no Teatro Municipal de São Paulo.
Para os desolados fãs que não poderão mais ver a musa ao vivo na praia, resta um consolo: assistir às gravações do H que vão ao ar até o fim de janeiro. Isto porque até o carnaval, Tiazinha pretende enfurnar-se em um estúdio para gravar seu primeiro CD, que ela define como pop ao estilo dos americanos Backstreet Boys. Mas isso é outra história...

mockup