São Paulo - "Eu estava de cueca, às 10h, deitado no meu sofá. Tocou o telefone, e eu atendi. Era a autora Gloria Perez. Ela me ligou dizendo que tinha um personagem para mim. Quase morri. Falei: 'Tá maluca? Óbvio que aceito'." Foi dessa maneira que o ator Tiago Abravanel, 25 anos, que até então era reconhecido pelos trabalhos em peças e em musicais, recebeu o convite para interpretar o vendedor Demir da novela "Salve Jorge" (Globo).
Neto do apresentador Silvio Santos, Abravanel afirma que, mesmo na emissora concorrente, seu avô lhe deu força quando soube da notícia. "Ele está feliz por mim. Para ele, é motivo de orgulho saber que estou construindo o meu futuro, a minha carreira, sem de fato precisar pedir a ele que me coloque na TV. Sempre fiz testes."
Mas a emissora do avô, o SBT, também é muito importante para o ator. O seu primeiro trabalho em dramaturgia foi em "Amor e Revolução", no ano passado, trama de Tiago Santiago na qual viveu o guerrilheiro Davi. Mas o personagem teve vida curta. "Ele precisou morrer, pois recebi o convite para interpretar Tim Maia [1942-1998] no musical. Então, minha participação foi bem curta. Era uma oportunidade que eu não poderia jogar fora. Talvez o Tim tenha sido a melhor coisa que fiz na vida", afirma.
Agora, na pele do engraçado e apaixonado Demir, Abravanel afirma que a rotina de gravações é bem diferente de tudo o que já fez em sua carreira. Ele conta como se preparou para o personagem. "Tive aulas de prosódia, de dança e de cultura turca. Mas acredito que a minha maior preparação mesmo tenha sido viajar à Turquia, onde ficamos por 40 dias. Eu andei tanto por lá que até emagreci", diverte-se o ator.
Segundo ele, o que mais gosta em seu personagem é o fato de ele dançar. "Sempre amei dançar e estou adorando participar desse universo na TV. Se o Demir começar a cantar, estarei feito."
Ainda engatinhando em novelas, Abravanel afirma que já está colhendo os frutos de seu mais novo trabalho. Maduro, ele se diz preparado para as críticas que eventualmente possam surgir. "Se forem construtivas as utilizarei para aprender. Fazer TV é muito diferente de fazer teatro, a que estava mais acostumado. Mas tenho o pé no chão, sei quem sou e até onde posso chegar", conclui.

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