Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
O poeta amazonense Thiago de Mello está em Curitiba participando do 27º Congresso Nacional da Abav como ‘‘Embaixador do Turismo’’ do seu Estado. Autor do sempre citado ‘‘Estatutos do Homem’’, lançou ano passado ‘‘Campo de Milagres’’, pela Editora Bertrand do Brasil.
Para ele o campo milagreiro é a vida. Nela está tudo que há de abençoado e sobrenatural: a palavra, o nascimento, a luz, a sombra, a música, ‘‘a felicidade que uma poesia causa’’, a memória, a força do coração humano. ‘‘Enfim, o fato de viver é um permanente e insondável milagre’’, concluiu.
Há quase 50 anos mexendo com as letras, escreveu não só sobre o amor, como abordou a miséria e a injustiça. Este lado obscuro da existência ‘‘é a negação do milagre da vida’’, explicou. Assim como a riqueza excessiva de poucos e a miséria de muitos. Mas, crente na utopia, segundo declarou diversas vezes, acredita que no futuro o mundo vai se transformar num planeta de igualdades e fartura para todos.
Sem esperar tanto, mas fixando-se no Brasil, o ideal não seria ocorrerem alguns milagres a partir de Brasília? O poeta não gostou da pergunta e preferiu partir para ‘‘a força da dialética no dia-a-dia do ser humano’’, evitando a qualquer custo a palavra ‘‘política’’.
Sobre a queimada das matas, a destruição das florestas e o abandono social em seu Estado, afirmou lutar contra tudo isso ‘‘com a palavra’’. Tem orgulho em dizer que é um dos poucos da sua geração que vive unicamente da sua condição de escritor. Tem quase 30 títulos publicados.
Também não é um homem que participa de eventos de graça. ‘‘Vivo do meu trabalho e cobro caro por isso. Estou lhe dando esta entrevista porque faz parte de um acontecimento que é o congresso da Abav’’, disparou. Indagado se cobra dos jornalistas, afirmou que isso já aconteceu, mas omitiu o veículo.
Outra de suas medidas, conforme afirmou, é elevar em 10% os seus direitos autorais a cada nova edição de seus livros. As editoras, paulatinamente, devem fazer esse aumento assim que cada edição termina. Qual seria, então, a porcentagem que lhe cabe nas vendas de ‘‘Estatutos do Homem’’? ‘‘Não posso contar’’, devolveu Mello.

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