The Who é o revival da vez
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domingo, 19 de janeiro de 1997
Nelson Sato 
ReproduçãoThe Who: coletânea com seus maiores sucessos acaba de sair no BrasilÉ a vez da Whomania. Um dilúvio de relançamentos, iniciado há um ano e meio na Inglaterra, começa a repercutir no resto do planeta com um revival estonteante que inclui álbuns remasterizados, coletâneas, discos e vídeos inéditos.
No Brasil, a gravadora PolyGram segue a matriz britânica e já abastece as lojas com a coletânea My Generation - The Very Best of The Who e o álbum Whos Next. A primeira é uma notável introdução ao som do quarteto reunindo 20 faixas em ordem cronológica.
Abre com I Cant Explain (1965) e fecha com You Better You Bet (1981). Já o álbum lançado originalmente em 1971 traz o The Who carimbando definitivamente seu nome na história do rock com clássicos como Baba ORiley, Behind Blue Eyes e Wont Get Fooled Again.
Rock de raiz Para explicar o revival, é possível levantar dois fatores: a série Anthology, dos Beatles, que teria lhe servido de inspiração; e a onda neo-mod, que há dois anos contamina a ilha convertendo novos simpatizantes.
Grupo materializou
com fúria impagável
o chamado rockn
roll de raiz.
É flagrante, por exemplo, a influência da sonoridade seca do The Who em composições de bandas como Blur, Bluetones, Menswear ou Ocean Colour Scene. E há ainda todo um repertório de extravagâncias de palco marcando as atuais performances.
É de Towshend os famosos pulos no ar com as pernas abertas e o giro do braço como um moinho de vento acelerado em torno da guitarra. Pode ser atribuído a ele também o pioneirismo de atacar os amplificadores com os instrumentos após cada apresentação - atitude que a atual geração apreciou, como se fosse uma novidade, em shows e vídeos do Nirvana.
Panteão Em disco, o Who materializou com fúria impagável o chamado rocknroll de raiz. Estourou em 65 com o single My Generation, convertido em hino pelos fãs: As pessoas tentam nos arrastar / só porque andamos por aí / o que eles fazem é terrivelmente frio / espero morrer antes de envelhecer.
Quatro anos depois tocou no festival de Woodstock e lançou a ópera-rock Tommy, posteriormente adaptada para cinema, balé e espetáculo na Broadway. Após Tommy, o quarteto garantiu de fato seu lugar no panteão dos supergrupos gravando ainda dois excepcionais trabalhos na década de 70: o álbum conceitual Quadrophenia e a obra-prima Whos Next.
Com a morte do baterista Keith Moon, em 1978, por overdose de remédios contra o alcoolismo, a banda prosseguiu sem o mesmo vigor. Lançou dois discos cambaleantes parecendo apenas adiar a dissolução, que veio em 1982. De lá para cá, seus integrantes se reúnem eventualmente para shows comemorativos. Talvez, o atual revival seja mais uma dessas ocasiões.
Lançamentos
incluem
vídeo inédito
O Who foi a segunda maior banda de rock do mundo, ao lado dos Stones, de acordo com a voz corrente na década de 60.
O revival em torno da banda explodiu no ano passado com o relançamento de seis discos remasterizados, alguns com faixas bônus e todos pela gravadora Polydor inglesa.
O resgate, iniciado em 95, já reúne quase a totalidade dos discos gravados pelo quarteto. A fornada inclui as óperas-rock Tommy e Quadrophenia e os álbuns The Who by Numbers , Live at Leeds, Sell Out , Who Are You, Whos Next e A Quick One.
Um dos títulos mais precisos do pacote, porém, é o vídeo e o CD duplo The Who Live at the Isle of Wright, ambos inéditos. O vídeo foi gravado em setembro de 1970 durante o famoso festival inglês, cujo elenco de atrações incluía nomes como Jimi Hendrix, Ten Years After e Emerson, Lake and Palmer.
O vídeo traz a ópera-rock Tommy quase completa, mesclada a sucessos da banda e versões de clássicos do rocknroll.


