São Paulo, 23 (AE) - O CD "Bloodflowers", 11.º disco de estúdio do The Cure - que seu líder, Robert Smith, pretende também que seja o último -, é uma agradável cerimônia de adeus. Depois de quase 20 anos de bons serviços prestados ao pop, o mítico grupo inglês não teve a pretensão de dar a última palavra. Quer ser apenas uma boa lembrança de um século que já morreu.
Eles são de um tempo em que os teclados não tinham tantos timbres e possibilidades. Acostumaram-se a tirar o máximo do mínimo, e é isso que continuam fazendo, em faixas como a delicada "Out of This World", a que abre a carta da despedida. Aos 40 anos, Robert Smith agora gosta de ouvir Mahler, vive um casamento sólido e acha que não pode comportar-se mais como se tivesse 25 anos. Sabe que deixou obras essenciais do pop, como "Pornography" ("Um momento-chave da minha existência") e canções épicas, como "Killing an Arab", de 1979 (inspirada em O Estrangeiro, de Albert Camus).
"Eu adoraria pensar que nós deixamos um souvenir de uma banda intensa", disse Smith ao jornal francês "Libération". Estava certo. As nove canções de "Bloodflowers" são intensas. Como "There Is no if...", ainda sobre a falta de comunicação no mundo da hipercomunicação. "Lembra da primeira vez que eu disse te amo?/Estava chovendo e você não ouviu". (J.M.) Serviço - "Bloodflowers". Novo CD da banda The Cure. R$ 37,78. Importado. Studiotan.com.br

mockup