The Cranberries volta com novo disco
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 24 (AE) - Muita gente os tem como "a segunda grande banda da Irlanda", atrás apenas do U2 de Bono Vox. Garotos saudáveis de Limerick, uma cidadezinha irlandesa da qual nunca se afastaram o bastante, "The Cranberries" ganharam o mundo em 1993 com o disco "Everybody else Is Doing It, So Why Cant We?" (Todo Mundo Está Fazendo Isso, Então Por Que Nós não Podemos?) e a voz diáfana de Dolores ORiordan, sua loira vocalista. Em 1996, fizeram um disco execrado, "To the Faithful Departed", e o que parecia uma história dourada virou pó de latão.
Mas eis que eles voltaram, em dezembro, após uma ausência de três anos. E voltaram em grande estilo, cantando no concerto para a entrega do Prêmio Nobel da Paz, em Oslo, na Noruega. Traziam na bagagem um disco novo, "Bury the Hatchet", e um novo hit, "Promises". Voltaram às turnês e têm datas marcadas até o ano que vem.
"É interessante estar de volta ao jogo e, melhor ainda, tocando nossas novas canções", disse o guitarrista Noel Hogan, em entrevista por telefone, na tarde de domingo. Quando fundou a banda, em 1990, ainda como "The Cranberries Saw Us", Noel Hogan tinha 20 anos e acreditava que tudo seria fácil e rápido. "Nós aprendemos a tocar melhor e a conhecer melhor uns aos outros e estamos mais maduros", diz Hogan.
A maturidade é que o leva a renegar comparações de sua banda com outras, coisas que virou uma espécie de esporte popular entre críticos ingleses - especialmente com Sinead OConnor, "Everything But the Girl" e mesmo "10.000 Maniacs" e "Sugarcubes".
"São diversas canções, falando de muitas coisas pessoais e eu sinceramente não sei dizer o que soa assim ou o que soa assado", explica o guitarrista, que aprendeu a tocar o instrumento ouvindo seus ídolos (quase todos dos anos 80): Johnny Marr, Robert Smith e The Edge, entre outros. "O nome do disco sintetiza o que procuramos agora, que é deixar o passado para trás, buscar o que somos hoje", diz o músico.
Além de Noel Hogan, o Cranberries é formado por Dolores Mary ORiordan Burton (vocais, teclados, guitarras), Fergal Patrick Lawler (bateria e percussão) e Michael Gerard Hogan (baixo), todos nascidos em Limerick. O novo CD da banda foi produzido por Benedict Fenner (David Bowie, Brian Eno, U2 e Elvis Costello, entre outros) e a capa foi concebida pelo artista gráfico Storm Thorgeson - não por acaso lembra aquelas viagens new age das capas do Pink Floyd, de Alan Parsons e do Yes. Thorgeson trabalhou com todo esse pessoal.
"Não saberia dizer se a geração dos anos 60 e dos 70 era melhor ou pior, se era mais heróica ou não, mas é certo que há um monte de diferenças", observa Hogan. "No entanto, eu não julgo meus amigos e a mim mesmo com base nisso, porque as coisas que nós vivemos hoje e nas quais nós acreditamos são diferentes", pondera o guitarrista.
Noel Hogan e Dolores ORiordan mantêm uma parceria afinada nas composições do grupo, quase todas assinadas pela dupla. Ela, cantora desde os 3 anos, foi a última a entrar para a banda, substituindo o cantor da primeira fase, Niall. Depois de quatro semanas de ensaios, Dolores e o grupo afinaram-se perfeitamente e gravaram as primeiras fitas de demonstração.
Em 1993, gravaram "Everybody Else Is doing It, So Why Cant We?", que os manteve por mais de dois anos no topo da parada da "Billboard" e vendeu mais de 5 milhões de discos. O disco seguinte, "No Need to Argue", de 1994, vendeu mais ainda - 11 milhões de exemplares e discos de ouro e platina em mais de 25 países no mundo todo.
Esgotados e já sem o pique inicial, gravaram em 1996 "To the Faithful Departed" e cancelaram inúmeros concertos pelos Estados Unidos. Entraram em férias, o que para muitos pareceu o fim do grupo. Mas eis que retornam agora.
Noel conta que sua mulher mantém até hoje um restaurante em Limerick, na Irlanda, para onde ele vai eventualmente. Um restaurante de comida internacional. "Pode ser que tenha até comida brasileira no cardápio, quem sabe?", ele diz. "Não sei se iremos ao Brasil nem no próximo ano, não temos datas para nada", diz Hogan. "Bury the Hatchet". Novo CD da banda irlandesa The Cranberries. Produção de Benedict Fenner. R$ 18,00. Universal Music


