Para o glutão, mulherengo e perdulário Honoré de Balzac (1797-1850), ''o homem moderno'' era tudo o que havia de mais nobre e abjeto. Daí a sua obsessão pelo comportamento dessa espécie tão excêntrica, cujo DNA também era o seu. Balzac analisava os outros como uma forma de autoconhecimento.
Os ''Tratados da Vida Moderna'' foram escritos entre 1830 e 1839. Essa saborosa prosa ''científica'' completa o projeto de Balzac de esmiuçar a vida social francesa oitocentista, concretizado magistralmente na ''Comédia Humana''.
Medir, pesar, descrever e classificar: esse foi o método empregado compulsivamente pelo ensaísta em seus tratados. A graça dos textos está no rigor matemático típico das ciências exatas aplicado ao comportamento cotidiano, como se o homem fosse só uma máquina desregulada.
A ''Fisiologia do Vestuário'', por exemplo, ensina que a gravata é o homem, que ''é através dela que o homem se revela e se manifesta''. Considerados em relação à gravata, os homens dividem-se em três categorias: os relaxados, os ingênuos bem-intencionados e os fortes, que sentem e entendem a gravata. A cada modelo de gravata corresponde um tipo de homem, valendo essa regra para cada modelo de paletó. Divertidíssimo.

SERVIÇO
- Tratados da Vida Moderna
Autor - Honoré de Balzac
Tradução - Leila de Aguiar Costa
Editora - Estação Liberdade
Quanto - R$ 37 (240 pág.)

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