Para a psicóloga clínica Eliana Louvison, que faz parte do grupo de voluntários do projeto, o trabalho com textos infantis mais complexos ajuda na capacidade da criança se auto-avaliar e se posicionar em um mundo que precisa de regras de convivência. ''Os textos ensinam sem dar sermão, que não funciona. Não usamos um discurso moralista e o objetivo é 'humanizar' as crianças usando os personagens e os sentimentos que eles evocam'', explicou Eliana.
Os temas fortes e pesados dos clássicos que trazem problemas, intrigas e até situações que levam à morte , são percebidos como fontes de informações importantes que ajudam na formação do super-ego, instância psíquica essencial para a formação de um adulto saudável, argumentou a psicóloga.
Encantada com a contação de histórias com uma abordagem psicológica, Cléria Tonelotti Ricci, 46 anos, decidiu seguir a carreira de professora após presenciar o trabalho realizada no Centro de Educação Infantil Menino Deus, no João Turquino. Há quatro anos, Cléria trabalhava como cozinheira na instituição e no próximo mês concluirá a sua formação como professora. ''De tanto ver a forma como as professoras daqui trabalhavam, comecei a contar histórias para a minha filha e ela adorou'', comentou Cléria. Ela avalia que as crianças recebem as histórias de forma diferente e que, às vezes, a hostilidade do ambiente familiar prejudica o trabalho. ''Mas, de qualquer maneira, sabemos que o nosso trabalho é muito subjetivo e a longo prazo, e a recuperação de uma só criança já terá valido a pena todo esforço'', concluiu. (A.P.N.)

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