Textos de Clara Averbuck
''...Havia uma possibilidade da bebida estar se tornando um problema para mim. Não bebia todos os dias, mas quando bebia, enchia a cara e incondicionalmente fazia alguma merda. Quando por algum milagre eu não queimava o filme com alguém, chegava em casa e mandava e-mails alcoolizados e sinceros para meus amigos tratando de assuntos pessoais que ninguém fala quando sóbrio ou simplesmente divagando sobre alguma bobagem aleatória. No dia seguinte, pedia desculpas. Às vezes ninguém respondia e ficava por isso mesmo. Algumas pessoas achavam que eu era louca, mas eu nem era. A não ser que espontaneidade seja loucura... A questão é que eu realmente não aparentava estar bêbada mesmo quando ingeria quantidades absurdas de álcool. Estamos falando aqui de doses passíveis de matar um panda adulto, entende? No dia seguinte, estranhos vinham me parabenizar pelo strip-tease em cima da mesa e eu não tinha a menor idéia do que estavam falando...''.
(Trecho do livro ''Máquina de Pimball'')
''...Quando eu era jovem, bem jovem, quando tinha uns 13, 14, 15, 16, 17 anos, eu era a esquisitinha. A aberração. Aquela que não tem o tênis igual ao das outras outras. A que plantaria uma bananeira sem constrangimento no meio do pátio do colégio, se soubesse plantar uma bananeira e ficasse com vontade. Que fazia coisas estranhas, falava coisas estranhas, gostava de música e de escrever. Freak. Esquisita. De camiseta dos Ramones, piercing no nariz, tatuagem no braço e cabelo roxo no colégio São Judas Tadeu, aos 13 anos. Sendo apontada pelos idiotas como 'traficante' aos 15, no colégio São João. Foi o único ano da minha vida adolescente em que não usei drogas...''.
(Trecho do livro ''Das Coisas Esquecidas na Estante'')





