Curitiba - Em 1990, Mário Bortolotto ganhou o prêmio Shell de Melhor Autor pelo espetáculo ''Nossa Vida Não Vale um Chevrolet''. Dez anos depois recebeu o importante prêmio APCA pelo conjunto de sua obra. Ou seja, não é de hoje que o trabalho do autor londrinense vem sendo reconhecido. Mas essa é a primeira vez que ele autoriza que um texto seu seja levado ao cinema.
Bortolotto já teve uma experiência anterior com uma adaptação. Há alguns anos, um grupo curitibano fez um curta baseado no texto ''Efeito Urtigão'', mas o autor não gostou do resultado e não autorizou a exibição. Ele também tem ressalvas com a filmagem que está sendo feita atualmente, mas dessa vez, há uma diferença: mesmo não concordando com o roteiro final, ele acredita que o filme pode dar certo, principalmente pela ''competência da equipe envolvida'', conforme disse à Folha.
O desencanto com a adaptação, no entanto, não se restringe ao roteiro de Di Moretti, que assina a versão final de ''Nossa Vida Não Cabe Num Opala'', mas é ampliada para o cinema nacional e internacional. ''Adaptar um peça de teatro para o cinema é diferente de adaptar um livro. Você pode manter os diálogos, por exemplo, e ser bem mais fiel ao texto original'', generaliza. Na adaptação do espetáculo levado ao palco pelo grupo Cemitério de Automóveis, Moretti suprimiu alguns diálogos e acrescentou outros. Nesse caso é preciso esperar o filme ser levado às telas para conferir o que restou do texto original. Enquanto isso, Bortolotto adianta uma avaliação: ''Talvez o sentido do texto se perca...''.
Ainda assim, o autor continua seguindo de perto a transformação de sua obra. Fez uma participação especial nas filmagens e aparece no balcão de um bar em uma das cenas. Ele também foi convidado pelo diretor para assinar a trilha sonora do longa. ''Vou esperar ver as cenas antes de escolher as músicas, mas já tenho algumas coisas em mente'', adianta.(K.M.P.)

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