Texto inédito atribui morte de Lorca à polícia espanhola
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sexta-feira, 24 de abril de 2015
Folhapress 
São Paulo - Documentos divulgados na quarta-feira comprovam, pela primeira vez na história, a responsabilidade do governo espanhol no fuzilamento do poeta e dramaturgo Federico García Lorca, morto em 1936, um mês após o início da Guerra Civil Espanhola.
O informe redigido pela polícia em 9 de julho de 1965, 29 anos após a morte de Lorca, revela que soldados das Guardias de Asalto (forças de segurança do regime franquista) detiveram o poeta e o levaram aos "calabouços [da sede do] Governo Civil" de Granada, cidade onde o escritor nasceu e viveu.
O registro, que identifica Lorca como "socialista", "maçom" e lhe atribui "práticas de homossexualismo e aberração", diz ainda que ele foi conduzido a Viznar, cidade próxima a Granada, onde foi fuzilado após "confessar".
O autor de "Bodas de Sangue" e "A Casa de Bernarda Alba" foi assassinado aos 38 anos, em 19 de agosto de 1936. Seus restos mortais nunca foram encontrados.
ENGAVETADO
O documento encontrado agora, obtido pela emissora da Espanha Cadena SER, havia sido escrito em 1965 em resposta a um pedido da hispanista francesa Marcelle Auclair (1899-1983), que trabalhava em uma biografia sobre o poeta.
Auclair fez o pedido à Embaixada espanhola em Paris -que, por sua vez, transmitiu a demanda ao ministro de Relações Exteriores. A requisição chegou à polícia de Granada, e o relatório foi escrito à máquina por um policial 3ª Brigada Regional de Investigação Social de Granada.
Mas a pesquisadora nunca chegou a ver a resposta, que foi engavetada pelo governo espanhol, como comprova correspondência entre ministros do regime franquista também encontrada agora. "É melhor não mexer com isso", escreveu um ministro.
"Desde o ponto de vista histórico, é importante que exista um documento interno do regime de Franco reconhecendo que foi um crime político", disse Laura García Lorca, sobrinha do poeta, ao jornal "El País".
"A polícia reconhece o que já sabíamos: que foi um crime político porque o consideravam, nessa ordem, socialista, amigo de [líder socialista] Fernando de los Ríos, maçom e homossexual."
Ao "El País", José Luis Ledesma, professor de história contemporânea da Universidade de Zaragoza, comentou que a revelação desses documentos é algo sem precedentes. Ele destacou também o caráter confidencial do arquivo, que reconhece abertamente o que já era sabido, embora jamais confirmado, por pesquisadores de Lorca e da Guerra Civil Espanhola.


