TEVÊ/ BASTIDORES - Diretor cativa elenco de 'América'
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sexta-feira, 24 de junho de 2005
Danielle Araújo<br> TV Press 
Depois de dois meses da saída de Jayme Monjardim da direção geral de ''América'', Marcos Schechtman já esbanja desenvoltura na função. Embora guie o elenco sempre em tom baixo, o diretor é bastante incisivo nas suas marcações. Nas gravações da cena em que Sol e Ed, interpretados por Deborah Secco e Caco Ciocler, forjam um noivado - que deve ir ao ar na próxima segunda-feira -, essa característica ficou bem explícita. Como a cena contava com a maior parte do núcleo de Miami, Schechtman teve de controlar as ''brincadeirinhas''. ''Esse núcleo tem grande capacidade de improviso. Isso não é ruim, mas tenho de monitorar. Senão, vira uma festa mesmo'', observa o diretor.
O único que não participava da ''festa'' era Caco Ciocler. Mesmo em meio à saraivada de piadas, era raro soltar um sorriso. Apesar de parecer anti-social, Caco confessa que evita essa interação só para não perder a linha de pensamento. ''Me dá um certo pânico quando vou gravar com muita gente. Perco a concentração com muita facilidade'', explica Caco.
Já Deborah Secco, que interpreta a Sol, faz questão de ser sociável. Vire e mexe, puxa conversa com um colega. Mas, na hora de gravar, demonstrava certo desconforto. Por várias vezes, se perdia no pequeno texto e, quando falava, não defendia de forma convincente os objetivos de sua personagem. Talvez por uma certa identificação, a atriz encontra mais facilidade para desenvolver em cena o aspecto ''deslumbrado da personalidade de Sol. ôEsse é um dos papéis mais ricos que já vi. É um retrato muito forte da vida dos brasileiros que lutam para conquistar algo melhor. Acho que qualquer atriz sonharia fazer uma personagem como esta", não se cansa de repetir.
O ator-mirim Matheus Costa, por sua vez, se mostra mais ''pé no chão''. O menino de sete anos, que interpreta o Rick, controla sua fascinação de trabalhar pela primeira vez em novelas. ''Só quase chorei no primeiro dia de gravação. Agora, me sinto melhor'', entrega. Superado o impacto inicial, agora Matheus está tão à vontade que grava facilmente qualquer cena. Sempre atento, ele fala seu texto com fluência e segue à risca todos os conselhos de Schechtman. ''O Matheus é muito concentrado. Mesmo nessa cena em que participa muitos atores, ele quase não se distraiu. É uma criança muito querida'', elogia o diretor.
Quem também desperta simpatia geral durante a gravação é Cláudia Jimenez. A intérprete da mexicana Consuelo grava sempre de bom humor, até quando é preciso repetir uma mesma cena várias vezes. Aliás, ela é a principal responsável pelo clima amistoso entre o elenco. Vire e mexe, solta uma ''piadinha'' qualquer para tentar animar o ambiente. Tanto que não é difícil ver alguém ao seu lado às gargalhadas. ''Não deixo faltar humor em nenhum momento da minha vida. É o humor que salva a gente'', ensina.
Marcos Schechtman aparentemente concorda com Cláudia. Embora encha a boca para dizer que é amigo pessoal de Jayme Monjardim, o diretor acha que os atores que moram na pensão estavam com excessivo peso dramático. ''Percebi logo que precisava aproveitar mais o lado cômico desse elenco'', observa. Desde que tomou as rédeas de ''América'', Schechtman procurou deixar o ambiente das gravações bem leve, para que os atores lidassem com a transição de diretores da melhor maneira possível. ''Não quero ver ninguém desestimulado'', avisa.


