TEVÊ 'A Viagem' ainda atrai telespectadores
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sábado, 01 de julho de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Um dos grandes sucessos de audiência da Globo é a novela ''A Viagem'', de Ivani Ribeiro, com direção de Wolf Maya e Ignácio Coqueiro, que atualmente está sendo reprisada pela segunda vez no ''Vale a Pena Ver de Novo''. O que hoje se vê na telinha é a segunda versão da novela, que estreou em 1994. A primeira é de 1975. Com conteúdo declaradamente espiritualista voltado à doutrina espírita, a novela conquistou um público variado, independentemente da idade ou da religião.
Na trama, que se passa no Rio de Janeiro, na décade de 90, a empresária Dinah (Christiane Torloni) e o advogado Otávio Jordão (Antônio Fagundes), após muitos conflitos em decorrência da prisão de Alexandre, irmão de Dinah, vivido pelo ator Guilherme Fontes, vivem uma intensa história de amor, que se estende ao plano espiritual. A trama tem como tema central a vida após a morte, baseado na doutrina de Allan Kardec. A primeira versão da novela contou com a atriz Eva Wilma como Dinah. A segunda versão foi ao ar no horário das 19 horas e até hoje nenhuma outra novela no mesmo horário conquistou tamanha audiência 53 pontos no Ibope.
Assessorada diretamente por Chico Xavier, na época em que escrevia a trama, a autora Ivani Ribeiro, que não era espírita, teve a idéia de escrever a novela após ter lido o livro ''Vale dos Suicidas'', de Xavier. No livro, um relato detalhado do processo de 'cura' que um suicida passaria, dentro da perspectiva da filosofia espírita, depois de causar a própria morte. ''Dentro da nossa filosofia, acreditamos que a bondade de Deus é infinita e sempre oferece novas oportunidades de recuperação para todos os seus filhos, mesmo em casos de suicídio, e a novela mostrou muito bem isso. Outra coisa importante é ressaltar que acreditamos que todas as preces e orações podem ajudar as pessoas que chegam a cometer tal ato a evoluírem espiritualmente'', explicou a administradora Neuza Cristina Minetto Nishioka, 46 anos, praticante do espiritismo e integrante do Centro Espírita Nosso Lar, em Londrina.
Ela ressalta que as novelas refletem o nível de consciência em que as pessoas se encontram e que as novelas também seriam uma forma de 'racionalizar', através da oralidade da narrativa novelística, sentimentos que as pessoas já estariam sentindo, mesmo sem perceber de forma consciente. ''Quando a novela traz o tema do homosexualismo ou de um dependente de drogas, ela não está estimulando esses atos, mas traz a oportundidade das pessoas debaterem sobre o assunto, até porque são problemas que qualquer um de nós poderia deparar na própria família e precisa aprender a lidar com isso'', afirmou Neuza, que considera o espiritismo uma filosofia e, portanto, universal.
Fã convicta da novela a cantora L.O., 25 anos, conta com a ajuda de um amigo do trabalho para assistir aos capítulos da novela. A Globo não pega bem no seu apartamente e é na casa do amigo que diariamente as cenas são gravadas em fitas de videocassete. ''Ele grava uma série de capítulos e à noite costumo assistir como se fosse a um filme'', contou a jovem cantora, simpatizante do espiritismo, que pela terceira vez está acompanhando a trama.
A identificação é tão grande que quando a novela passou pela primeira vez ela deixava de sair com os amigos para poder assistir aos capítulos. Em outra ocasião, em um acampamento de jovens, durante cinco dias, a carta de uma amiga ajudou a diminuir a ansiedade sobre os acontecimentos.
Mesmo sabendo o final, embora ressalte que não se recorda de todos os desfechos, L.O. disse que não perde o interesse de acompanhar a novela. ''Além da questão da espiritualidade, o romance é muito bem escrito e as pessoas sempre têm curiosidade pelo sobrenatural, mesmo que não compreendam bem isso. Isso tudo me atrai'', ponderou. E a admiração é tanta que ela sabe tocar a trilha da novela no violão e até o cachorrinho de estimação se cham Théo (marido da personagem Dinah). Fã é fã.


