TEVÊ - Viagem secular
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2006
Diogo de Oliveira<br> TV Press 
Assistir aos capítulos de ''Paixões Proibidas'' é como fazer uma viagem ao início de Século 19. Ou, mais precisamente, até 1805, período retratado na trama de Aimar Labaki. Nesta época, o grande centro do país era o Rio de Janeiro, uma cidade de ruas estreitas e arquitetura colonial portuguesa. Quatro cenários isolados são explorados no folhetim: Lisboa e Coimbra, em Portugal, Rio de Janeiro e a fictícia Vila de Resende, no Brasil. Todos bastante verossímeis. Do chão ao teto das casas e construções, incluindo os adereços, tudo foi cuidadosamente preparado para a novela. ''Nada é artificial no set. Não há plástico ou madeira imitando ser pedra ou cerâmica. Por isso, nossa luz é o menos artificial possível. Isso faz com que os cenários pareçam ainda mais naturais'', observa o diretor Ignácio Coqueiro.
O primeiro passo para a reconstrução cenográfica foi a pesquisa. Para remontar a sociedade da época, a produção de ''Paixões Proibidas'' fez um levantamento histórico do modo de vida e costumes do Brasil-Colônia. Com base nesses estudos, foram construídos dez grandes cenários para a novela, como a residência dos Azevedo e da família Dias, a casa Barão de Barbacena, a Câmara Municipal de Resende, a taberna e uma masmorra. Todos montados nos três estúdios da emissora em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Para se aproximar ao máximo do que seria a vida no Brasil no início do Século 19, a cenografia e produção de arte da Band inspiraram-se nas obras de Jean-Baptiste Debret e Thomas Ender. Radicados no Brasil a partir de 1816, os dois artistas interpretaram o cotidiano brasileiro em pinturas e gravuras que se tornaram importantes ferramentas para entender a época. ''Reconstituição fidedigna de época se faz em documentário. Em dramaturgia, a cenografia interpreta e reinventa, até porque certos aspectos não tem quaisquer referências'', pondera a cenógrafa Cláudia Alencar.
Como a novela se passa no Brasil e também em Portugal, alguns cenários são reaproveitados ao máximo. Por exemplo, na taberna - que também é uma hospedaria - todos quartos são representados em apenas um. Para tanto, a produção rearruma os móveis. Já na Vila de Resende, localizada na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, a produção aproveitou a fachada de algumas casas e construiu outras, como a casa de pau-a-pique onde moram o Ferreiro João e sua Filha Mariana, personagens de Reinaldo Gonzaga e Julianne Trevisol. Originária de um dos mais antigos engenhos de café e de cana-de-açúcar da região, a fazenda - onde há décadas funciona um hospital psiquiátrico - tem uma arquitetura próxima à do período retratado na novela. ''Quando visto o figurino e entro em cena, mergulho na época da novela. É como se eu fosse realmente transportado para o Século 19'', elogia Antônio Grassi, intérprete do vilão Tadeu Dias.
Fora dos estúdios, alguns endereços do Rio - por serem históricos - também são sets para a novela da Band. Um deles é o Largo da Misericórdia, no centro da cidade, onde foram feitas cenas na fachada da igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso. Outro é a Fortaleza Santa Cruz, originalmente erguida pelos franceses em 1555, na entrada da Bahia de Guanabara. Lá, a direção aproveita os estreitos corredores de pedra para representar o movimentado centro da cidade.
Outro componente que ajudou muito a cenografia de ''Paixões Proibidas'' foi a computação gráfica. Em parceria com o Centro de Pesquisa VisionLab da PUC carioca, a direção usou a ''mágica'' para reproduzir a agitação dos centros urbanos de Brasil e Portugal. Nas cenas, atores e figurantes ficam à frente de um grande fundo azul que, posteriormente, é trocado por imagens tratadas no computador. ''Tiramos fios, prédios modernos e qualquer interferência'', explica Ignácio Coqueiro.
Serviço:
- 'Paixões Proibidas' - Band, de segunda a sábado, às 22 horas.


