TEVÊ - Uma 'belíssima' novela
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de junho de 2006
Andrezza Capanemae Daniela Ortega<br> Folhapress 
Há seis capítulos do final, ''Belíssima'' é forte candidata a bater o recorde de audiência de novelas, conquistado por ''Senhora do Destino'' em 2004: média de 61 pontos e 65 de pico. A pedido da reportagem, Silvio de Abreu analisa a trama - que chegou aos 59 pontos - e revela alguns segredos.
Duas perguntas fundamentais serão finalmente respondidas por Silvio de Abreu, 63, na próxima sexta-feira: em ''Belíssima'', quem é o grande vilão que manda em André (Marcello Antony) e quem é o filho de Murat (Lima Duarte) e de Bia Falcão (Fernanda Montenegro)? Com isso, ele encerra a novela que diz ser a ''mais feliz'' de sua carreira, que inclui outras 12 tramas, como ''A Próxima Vítima'' (1995), ''Sassaricando'' (1987) e ''Guerra dos Sexos'' (1983). ''Nessa novela, deu tudo certo. Nenhum ator reclamou de nada, o orçamento não saiu do previsto. Foi muito agradável fazê-la.''
Isso porque a novela foi sucesso desde o primeiro capítulo, quando deu 54 pontos de audiência. ''Fiquei muito surpreso. Para mim, isso é inédito, porque todas as histórias que faço começam devagar. Sou um autor que sempre coloca muita coisa nova, e o público é meio arredio a novidades.''
Abreu diz que, pelo sucesso de ''Senhora do Destino'' (2004) e de ''América'' (2005), chegou a ficar apreensivo antes da estréia. ''Pensei: vou entrar e derrubar isso tudo aí'', exagera. Isso não aconteceu e, do primeiro capítulo até agora, a trama tem média de 48 pontos no Ibope, com 70% de share (porcentagem de televisores ligados que estavam na Globo). No dia 15 de maio chegou aos 60 pontos e, em 12 de junho, registrou 59 pontos.
Os números são quase uma redenção para Abreu, cuja última novela, ''As Filhas da Mãe'' (2001), não emplacou. ''O horário das sete estava ruim e me convidaram para fazer uma novela com todo o elenco de comediantes da Globo que não estava em algum programa. Não tinha muita vontade, mas o Jorginho (Jorge Fernando) ia dirigir e estava entusiasmado, e eu o adoro. Mas eu disse que não poderia ser uma novela convencional'', diz, completando: ''Só que ela concorria com os telejornais das outras emissoras, e, de uma só vez, aconteceram o sequestro da filha do Silvio Santos e o dele também, e o ataque ao World Trade Center (nos EUA). Como eu podia competir com o início da Terceira Guerra?''
Em ''Belíssima'', Silvio modificou sua maneira de fazer novela: começou como um típico folhetim e depois apresentou a trama policial. Ele diz ter descoberto que é mais fácil prender o público pela emoção do que pela razão, e fala que não se surpreendeu com nenhum ator ou trama. ''Tudo o que acontece, como o namoro da Regina da Glória (Lívia Falcão) e Jamanta (Cacá Carvalho), estava planejado.'' Ele também comenta a atuação de Reynaldo Gianecchini, o Pascoal. ''O público não estava acostumado a vê-lo como mecânico e começou a criticar, mas logo vieram os elogios. Ele não melhorou, o público é que se acostumou''.
Abreu admite que o núcleo oriental perdeu espaço na história. ''O Takae (Carlos Takeshi) é ótimo, mas os jovens estavam verdes para os papéis. Eu queria ter trazido mais gente da família, como, por exemplo, uma avó gorda, que só falasse japonês e que implicasse com a Safira (Cláudia Raia).''
Sobre a trama, o autor diz já ter dado diversas pistas sobre o assassino, mas admite que também distribuiu informações falsas, antes mesmo da estréia. ''A Fernanda Montenegro sabia que iria voltar, mas combinamos de ela negar.''
Ele conta que irão ao ar cenas clássicas de final de novela. ''Narciso (Vladimir Brichta) e Taís (Maria Flor) vão se casar'', adianta. Mas o mesmo não ocorrerá com Pascoal e Safira. ''O final deles vai ser muito mais engraçado do que isso.'' É, parece que vamos ter de esperar para ver.


