TEVÊ - Senhora do Destino chega ao fim
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de março de 2005
Cristina Padiglione<br> Agência Estado 
''Ficção é mentira, é um território no qual o autor é Deus e onde ele tudo pode.'' A frase é do deus em questão, Aguinaldo Silva. É assim que ele justifica à reportagem que não sente obrigação alguma em ser coerente ao tempo de sua novela. ''O tempo no qual se passa a minha novela foi o tempo que eu quis.'' Quem mandou perguntar? Esqueça a juventude de Carolina Dieckmann para alguém que era bebê em 1968 e já desfruta da tecnologia dos dias correntes. Afinal, quem se importa? ''Os telespectadores não deram a mínima para isso'', completa Aguinaldo. De fato. A audiência não nega.
Novela que se preza tem sempre sua versão de Cinderela. No folhetim que acaba hoje, a Gata Borralheira é nordestina. Como o autor do enredo e o presidente Lula, a Maria do Carmo de Suzana Vieira deixou Pernambuco em busca de dias melhores no sul-maravilha. Para Aguinaldo Silva, o sucesso de audiência de sua novela está bem aí: na chance de o telespectador se enxergar na tela. Nem todo nordestino faz fortuna como Do Carmo, mas os migrantes que vencem na vida são em número grande - maior do que os exemplos apresentados sempre como meras exceções.
Quando o indivíduo se vê na novela das 9 - que a Globo ainda chama como ''das 8'' - o ibope não dá ponto sem nó. É assim que ''Senhora do Destino'' fecha hoje seu 220º capítulo com média de pelo menos 50,48 pontos, patamar atingido na última terça-feira na Grande São Paulo. São pelo menos 4 pontos à frente dos últimos enredos bem-sucedidos do horário, ''Celebridade'', ''Mulheres Apaixonadas'' e ''O Clone''.
Pergunte a Aguinaldo se houve algo que ele gostaria de ter feito nesta novela e não pode. ''Houve, sim, eu queria ter ganho mais três semanas de novela para que a minha média de audiência chegasse a 52'', disse-nos ele, após o capítulo de terça-feira, quando Senhora atingiu 50,48 pontos de saldo, ''embora tenha enfrentado horário eleitoral em dois turnos, olimpíada, horário de verão, Natal, ano-novo e carnaval, situações em que a audiência baixa desastrosamente.''
A última vez que a Globo alcançou esse estágio em uma novela no horário foi em 1997, com ''A Indomada'', do mesmo Aguinaldo Silva. Em 1996, ''O Rei do Gado'', de Benedito Ruy Barbosa, somou os 52 que Silva almejava fazer com ''Senhora''. De todo modo, em 1996 e 1997, 1 ponto de audiência equivalia, segundo o Ibope, a 40 mil lares na Grande São Paulo - 9,5 mil a menos do que hoje.


