Poucos formatos de cinema são tão ambíguos quanto o documentário. Nele, pressupõe-se que a verdade está sendo dita, que a isenção foi alcançada.
''Persona Non Grata'', documentário de Oliver Stone que estréia amanhã no HBO, relembra que, pelo menos desde os tempos da cineasta do nazismo Leni Riefenstahl (1902-2003), cinismo é moeda corrente nesta categoria. Antes de retrato fiel, documentários expressam pontos de vista. A ilusão é fazer com que o espectador repare pouco nos toques autorais.
Stone segue os passos de outro norte-americano, o diretor Michael Moore (''Roger e Eu'', 1989), e torna-se personagem de seu próprio filme. Antes de qualquer mérito, a grande contribuição de Moore foi deixar claro que documentários são parciais. Sua presença constante na tela, o cinismo atroz e o humor estão lá para convencer e mexer com o espectador.
''Persona'' é uma continuação da obra de Stone e sua obsessão pelos temas políticos de filmes como ''Platoon'' (1986). É também mais um documentário sobre Stone tentando entrevistar o presidente da (ANP) Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, do que sobre os conflitos políticos no Oriente Médio.
Isso não impede que sejam mostradas boas entrevistas com algumas das principais figuras da questão, como ex-premiês israelenses de diferentes gerações (Benjamin Netanyahu, Ehud Barak e Shimon Peres). Stone tenta, sem sucesso, entrevistar Arafat.
Gravado em seis dias entre Jerusalém e Ramallah (Cisjordânia), Stone ainda conversou com anônimos e historiadores, traz sequências com o atentado em Netanya (Israel) e a retaliação israelense. Em uma das entrevistas mais impressionantes, o diretor conversa com um grupo de guerrilheiros mascarados pró-Palestina, que explicam como funciona a lógica dos atentados com homens-bomba. No entanto, Stone não esclarece muito sobre a questão. Foi, inclusive, acusado pela imprensa norte-americana de ter sido simpático demais à causa palestina.

Serviço: ''Persona non grata'', documentário dirigido por Oliver Stone, hoje, às 22h30, no HBO.

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