Novelas de época que estão no ar atualmente -''Sinhá Moça'' (Globo) e ''Cidadão Brasileiro'' (Record) - têm exibido cenas fortes de beijos e de sexo que não condizem com o período em que se passam. Na novela das seis, que é ambientada em 1886, Sinhá (Débora Falabella) e Rodolfo (Danton Mello) trocam beijos apaixonados. ''Naquela época, as mulheres eram muito reprimidas e não podiam fazer quase nada antes de se casarem, ficavam sob total domínio dos homens, primeiro o pai, depois o marido'', fala a psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins, autora de ''O Livro Dourado do Sexo'', lançado pela Ediouro. Ela afirma que as mulheres eram vistas como pessoas sem desejo. ''Os casamentos eram arranjados, e qualquer contato afetivo era supervisionado pela família. Os beijos mais quentes são coisas de novela''.
''Cidadão Brasileiro'', que nesta primeira fase se passa nos anos 50, tem cenas ainda mais ousadas. Antônio (Gabriel Braga Nunes) mantém relações sexuais com três mulheres: Luiza (Paloma Duarte), Fausta (Lucélia Santos) e Carolina (Carla Regina). ''Eu tinha 18 anos em 1956 e sei como eram as coisas naquele tempo. Todo mundo fazia sexo, só que era escondido. Os casais se bolinavam muito e o único cuidado era não tirar a virgindade das mulheres. Não estou adiantando nada'', fala o autor da trama, Lauro César Muniz.
O sociólogo Laurindo Leal Filho, professor da ECA/USP, concorda com Muniz. ''Essas coisas sempre existiram, só que agora são mais abertas.'' Regina, porém, discorda. ''Como a pílula anticoncepcional surgiu só em 1962, havia muito receio de uma gravidez indesejada. Mulher que fazia sexo era discriminada, havia repressão, e as coisas eram feitas às escondidas. Os casais praticavam outras modalidades de relação para preservar a virgindade feminina'', explica.
Para Muniz, a única personagem avançada para a época é Carolina, que é uma moça de família ousada e que se entregou a Antônio porque o amava. ''Os personagens que têm relação mais abertas são os que vieram da capital''- argumenta o autor.

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