De Cristo a Callas, passando pelo mais célebre casal enamorado de Shakespeare, o cineasta italiano Franco Zeffirelli, 81, sempre se interessou pelas grandes paixões, retratadas por ele com um misto de grandiloquência, indulgência e apelo para o grande público. Nada mais fiel ao seu espírito, portanto, que o documentário ''Franco Zeffirelli, um Ritmo Mágico de Vida'' (2004), transmitido pelo Eurochannel, que tem sobre o diretor um olhar análogo ao que ele lança sobre os temas que aborda.
Produzido pela Rai Trade, a direção é de Sandro Lai, 66, que tem feito afetuosos documentários sobre figuras históricas do cinema italiano, como Bernardo Bertolucci e Anna Magnani. O eixo do filme é um depoimento de Zeffirelli, intercalado com outras entrevistas concedidas pelo diretor ao longo de sua prolífica carreira para a televisão e cinejornais. O foco é o cinema (desfilam pela tela Luchino Visconti, Elizabeth Taylor e Richard Burton, entre outros), mas a atuação de Zeffirelli como diretor teatral e de ópera também é detalhada.
No teatro lírico, é interessante ver como Zeffirelli construiu o tipo de concepção luxuosa, monumentalista e quase carnavalesca que caracteriza suas produções. Grande lição é a meticulosidade com que ele dirige cantores; contudo, se as imagens de arquivo são ricas, o didatismo escasseia - se você não conseguir reconhecer, por exemplo, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti, não haverá nenhuma legenda para lhe contar que eles estão ali.
Como o tom do filme é laudatório, não vale a pena nem sintonizar a TV no Eurochannel se você tiver restrições ao sentimentalismo cristão flertando com o ''kitsch'' que marca a estética de Zeffirelli. Agora, quem verteu lágrimas com ''O Campeão'' (79), se enterneceu com ''Romeu e Julieta'' (68) e se comoveu com ''Callas Forever'' (2002) terá emoção assegurada com o filme de Lai.

Serviço:
- ''Franco Zeffirelli, um Ritmo Mágico de Vida''. Hoje, ás 15 horas no Eurochannel.

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