A placa avisa enquanto os tiros pipocam:''Proibido o uso de armas nesta cidade.'' É a comédia politicamente correta de ''Bang Bang'', nova trama das sete da Rede Globo de Televisão que estreou anteontem. Em plena época da campanha contra o desarmamento, a novela tem duelo, chacina, assalto, mas sem sangue. No lugar, desenho animado, que faz da trama um Kill Bill tupiniquim com pitada de faroeste caboclo. A chacina mostra um cenário parecido com a capela de ''Two Pines'', onde Uma Thurman, a noiva, e seus convidados, foram atacados por Bill.
É uma tarefa ingrata fazer piada sem exagerar e ofender. Talvez por isso a trama pecou, pelo menos no primeiro capítulo, com um humor leve e sem graça, quase patético. Coisas como ''para abrir um banco basta uma garrafa de café e um bando de otários'' ou ''afogar o ganso ou molhar o biscoito'' é de um teor muito raso para a qualidade dos profissionais envolvidos na produção. Como produto unicamente, deve agradar ao telespectador.
A audiência de 37 pontos, com 57% de participação no share, é excepcional. Talvez pela quantidade de aparições insólitas - ver num mesmo dia Luís Melodia, Paulo Miklos e de quebra Jece Valadão duelando com Tarcísio Meira não é para qualquer folhetim.
Fernanda Lima é uma vítima da responsabilidade que lhe foi delegada. Assumir uma protagonista sem experiência é um risco grande, tão grande quanto sua beleza. Na estréia ela falou pouco. O sotaque gaúcho destoou do western carioquês, mas a moça talvez supere Ricardo Macchi como o cigano Igor em ''Explode Coração'' (1995). Surpresa foi a atuação de Paulo Miklos, à vontade diante das câmeras.
Saem as piadinhas horríveis, entra o padrão Globo de produção. A cenografia é impecável, como o figurino e a direção de Ricardo Waddington, que se superou na criatividade de captação de imagens. O autor Mario Prata também acertou a mão em um dos núcleos que promete ser um dos mais engraçados da novela, com Kadu Moliterno e Evandro Mesquita, dois bandoleiros foragidos que se fantasiam de mulher, e Sidney Magal, o Zorroh aposentado que sai do armário e monta um salão de cabeleireiros. É esperar pelos próximos capítulos.

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