Os porões da ditadura militar serão remexidos outra vez pelo programa ''Linha Direta Justiça'', da Rede Globo. Depois de abordar o caso Zuzu Angel, reconstituindo sua morte e o assassinato de seu filho Stuart pelo regime, a edição que vai ao ar hoje, às 23 horas, traz à tona o episódio da tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog.
Vlado, como era chamado pelos amigos, trabalhava na TV Cultura de São Paulo. Assumira a direção de jornalismo da emissora em setembro de 1975 e fora identificado pelos órgãos de informações como colaborador do Partido Comunista Brasileiro. Na noite do dia 24 de outubro foi abordado por agentes dos serviços de segurança, que o convocaram para prestar depoimento no Destacamento de Operações de Informações do Segundo Exército (DOI), então comandado pelo general Ednardo D'Avilla Mello.
Na manhã do dia seguinte, apareceu enforcado numa cela do prédio. A versão oficial era de que ocorrera um suicídio. Seu corpo foi apresentado à imprensa pendurado em uma grade pelo pescoço por um cinto. Mas a grade era mais baixa que a altura do jornalista. Na época, não havia um Ministério Público independente para que se movesse uma ação criminal.
Os advogados a quem a viúva Clarice recorreu tentaram então uma ação cívil inédita contra a União, propondo a responsabilidade do Estado Brasileiro pela prisão ilegal, tortura e morte de Vladimir Herzog. Em 1978, a sentença foi favorável a Clarice Herzog. ''Linha Direta'' retoma o caso trazendo uma entrevista com ela, além de depoimentos dos jornalistas Rodolfo Konder e George Duque Estrada. Na parte dramatúrgica, o ator Ilya São Paulo intepreta Vlado, enquanto Bete Mendes faz a mãe do jornalista, Zora.

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