TEVÊ - 'Brega' sim, mas cativante
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terça-feira, 21 de junho de 2005
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
Na série é ruim, mas nóis gosta, o primeiro capítulo da nova novela de Walcyr Carrasco foi supimpa. Alma Gêmea pode ser brega, mas teve cenas de elaborado visual, naqueles campos floridos de rosas. E a novela trata de reencarnação. Sempre que se fala no assunto, alguém lembra que Ghost foi um dos grandes sucessos de Hollywood no Brasil. O próprio Titanic, sucessão maior ainda, se não trata de reencarnação pelo menos investe na espiritualidade, naquele desfecho que marca a chegada dos personagens de Leo DiCaprio e Kate Winslet ao paraíso.
De volta a Alma Gêmea o primeiro capítulo, anteontem, contou, a toque de caixa, a história de Rafael e Luna. Eduardo Moscovis, o ex-vilão de Senhora do Destino, mais canastrão do que nunca, faz um grande produtor de rosas na cidade fictícia de Roseiral. Apaixona-se por Luna, a delicada Liliana Castro, mas o ciúme da prima leva à morte da moça. Rafael desespera-se e impede que a alma de Luna chegue ao céu. Ela volta à Terra para reencarnar numa mestiça índia. Será Serena, ou melhor, Priscilla Fantin, por quem Du Moscovis vai se apaixonar.
Se o objetivo era integrar a cultura indígena, zebrou. Com Priscilla Fantin? Só se for índia de Hollywood. Carrasco é especialista em comédias românticas, embora tenha, no currículo, o texto dramático Êxtase, sobre as drogas e a juventude de classe média. Suas novelas ficam ali, naquele registro da trama singela e dos diálogos leves. São tolices simpáticas que os telespectadores consomem rindo e levantam a audiência das 6, na Globo. Basta lembrar de O Cravo e a Rosa, adaptada de A Megera Domada, com Du Moscovis como Petrúquio, e Chocolate com Pimenta, com a vilã cômica de Beth Savalla.
Ambos estão de volta em Alma Gêmea. O diretor é Jorge Fernando, viciado em cinema. O conceito do primeiro capítulo foi baseado no movimento, com uma câmera que nunca parou.
Aproveitando o motivo da Lua, por causa de Luna, o diretor criou cenas inteiras ao som de Blue Moon, Moon River e até Clair de Lune, de Debussy. Vai ser difícil manter o capricho no corre-corre diário, mas Alma Gêmea leva jeito de ser outro folhetim típico de Walcyr Carrasco. Chatinho, porém adorável. Na estréia, deu 35 pontos de média de audiência.


