Tesouros escondidos do MAC
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de junho de 2009
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
O Museu de Arte Contemporânea do Paraná exibe hoje, a partir das 19 horas, o resultado do trabalho de restauração de boa parte de seu acervo em papel na exposição ''MAC - 248 Obras Restauradas''. São desenhos, gravuras, colagens e técnicas mistas produzidas entre o início do século XX e o início do século XXI que passaram por tratamento químico para a retirada de fungos, acidez, manchas e rasgos. O projeto foi viabilizado por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura e patrocinado pela empresa Abengoa.
De acordo com as restauradoras responsáveis pelo trabalho, Jozele Penteado e Vivian Letícia Busnardo Marques, dois fatores foram levados em conta para a seleção das obras a serem restauradas: o avançado estado de deterioração e o seu grau de importância. Um exemplo é o conjunto de cinco estudos em grafite de Zaco Paraná, que foram as primeiras obras registradas no acervo do MAC e apresentavam ação de fungos e manchas. Já os dez trabalhos em técnica mista de Anatol Wladyslaw, embora não apresentassem grandes danos, passaram pelo tratamento por causa de seu valor artístico. ''É uma pequena gota diante do que tem no acervo, mas tem que começar aos poucos. É o pontapé inicial e pretendemos continuar com mais obras de arte'', afirma Jozele.
Para que o público possa ter uma idéia da dimensão do trabalho realizado, serão mostradas reproduções de dez obras antes da restauração ao lado do original restaurado. São peças de Afonso Rodrigues, Anatol Wladyslaw, Anna Carolina, Ben Ami, Cícero Dias, Helena Wong, Kathe Kollwitz, Lívio Abramo, Poty Lazzarotto e Zaco Paraná. Os trabalhos passaram por documentação fotográfica, higienização, testes, tratamentos químicos, planificação, secagem e acondicionamento em papel de Ph neutro. Segundo Vivian, a durabilidade de obras de arte feitas em suporte-papel depende do ambiente em que elas estiverem, das condições de manuseio e de exposição. ''No papel é mais fácil de observar a restauração. Mas é importante não alterar nada na obra. Prezamos pela reversibilidade e o respeito ao trabalho do artista. Não podemos criar nem destruir nada'', ressalta Vivian.
A mostra ocupará dois andares do prédio histórico do MAC com as obras selecionadas pela curadoria entre as 248 restauradas. ''São trabalhos representativos da identidade do acervo do MAC e do reconhecimento histórico deste acervo e da arte paranaense'', explica a curadora Rosemeire Odahara Graça. Segundo Rosemeire, o público poderá ver em exposição peças de valor histórico tanto quanto peças de valor plástico. Esta será a primeira vez que estudos de Poty Lazzarotto, feitos para a cortina de fogo do Teatro Guaíra, serão mostrados ao público. ''É um Poty diferente. Uma chance de ver como é que ele criava'', recomenda Rosemeire. ''É uma possibilidade de ver coisas que normalmente não são vistas do acervo do MAC, que foi durante muitos anos o museu mais importante da arte do Paraná. É a sede do Salão Paranaense, que ainda hoje tem uma representatividade muito grande nacionalmente. É um único salão brasileiro de arte ininterrupto'', ressalta a curadora.
As restauradoras chamam a atenção para a dificuldade de realizar trabalhos como esse no Paraná, devido à falta de incentivo por parte das empresas patrocinadoras em potencial. ''Tivemos que recorrer a uma empresa espanhola com sede no Rio de Janeiro. A captação foi o que mais demorou porque as portas aqui estão bastante fechadas'', alerta Jozele.
SERVIÇO
-MAC- 248 Obras Restauradas
Quando - Abertura hoje, 19h. Segue até 26 de julho
Onde - Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Rua Desembargador Westphalen, 16, Centro). Visitação de terça a sexta-feira das 10 às 19 horas, sábado, domingo e feriados das 10 às 16 horas. Entrada franca.
- Mesa redonda com a curadora e as restauradoras, no dia 18 de junho, às 18 horas, na Sala Theodoro de Bona - MAC (Rua Emiliano Perneta, 29, Centro).


