ReproduçãoA RestingaMarambaia tem 45 quilômetros de praias intocadas e vegetação selvagem, e apesar do constante assédio dos empresários do setor turístico, o Exército se mantém irredutível quanto à abertura da áreaPor mais incrível que possa parecer, centros urbanos como Rio e Niterói ainda possuem praias paradisíacas e desconhecidas até da população local. Porém, desfrutar das maravilhas da Restinga da Marambaia, no Rio, e das praias do Imbuhy e do Rio Branco, em Niterói, é um privilégio de poucos. Localizadas em áreas das Forças Armadas, suas areias só são acessíveis a militares e a reduzidos grupos de civis cadastrados, que, mesmo assim, só podem desfrutar de suas belezas nos fins de semana.
Os militares alegam dois motivos para manter a restrição. Tais praias estão localizadas dentro de unidades ativas das Forças Armadas, o que impediria o acesso durante os dias de expediente normal. Já nos fins de semana, é possível abrir as praias aos civis, contanto que estes sejam cadastrados e que seja respeitada a capacidade dos estacionamentos disponíveis para evitar superlotação.
A localização das praias do Imbuhy e do Rio Branco é privilegiada. Dentro de fortes com os mesmos nomes, elas são formadas por pequenas baías, já fora da ultrapoluída Baía de Guanabara, suas águas são normalmente limpas, de tom esverdeado e calmas. Na areia, os banhista podem se divertir como em qualquer outra praia: jogando futebol, vôlei, tomando sol ou mesmo uma cerveja gelada nos bares que lá funcionam.
Atualmente, o 8º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado do Exército, divisão que ocupa uma área de 3.146 mil metros quadrados, onde há quatro fortes históricos, têm 2,5 mil civis cadastrados para frequentar as praias. ‘‘Eu mesmo já fiquei esperando na fila para ir a Praia do Rio Branco e não consegui entrar porque o estacionamento estava lotado’’, disse o coronel Arismar Dantas, chefe da seção de museus e monumentos da Diretoria de Assuntos Culturais do Exército.
Marambaia Na Barra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio, uma área de 45 quilômetros de praias intocadas e vegetação selvagem é o sonho de consumo de empresários que gostariam de ver a Restinga da Marambaia, transformada em um complexo turístico. Porém, as Forças Armadas, que dividem entre si o espaço, não abrem mão do local, que também funciona como um campo de provas e centro tecnológico.
Antes de passar às mãos das Forças Armadas, a Restinga da Marambaia era uma região de fazendas. Recentemente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) fez uma pesquisa sobre a história da região para descobrir se houve um quilombo na Ilha da Marambaia, ponta da Restinga mais distante do continente. O resultado do levantamento ainda não é conclusivo, mas revelou que lá se fazia tráfico de escravos, como comprovou um registro policial de 1851, dando conta de 199 escravos recém-chegados da África encontrados numa fazenda, 20 anos depois da prática do tráfico ter sido proibida.
Apesar do constante assédio dos empresários do setor turístico, o Exército se mantém irredutível quanto à abertura da Restinga da Marambaia. ‘‘O dinheiro que poderia ser arrecadado em uma possível venda da Restinga para a iniciativa privada não pagaria o preço da destruição ecológica da Restinga’’, afirmou o coronel Dantas. Somente na Restinga são encontradas espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção, como a coruja buraqueira e a planta carnívora Aristoloquia macrura.

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